Falha na articulação política leva Planalto a se render a Eduardo Cunha

Por Luciana Lima e Nivaldo Souza - iG Brasília |

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Governo teve de abrir diálogo com líder peemedebista, que sai fortalecido perante sua bancada pelo enfrentamento aberto com o Planalto

As idas e vindas da Medida Provisória 595, a MP dos Portos, na Câmara deixaram explícitas as dificuldades da articulação do governo com parlamentares, inclusive da base. Há, no Planalto, a avaliação de que houve uma demora grande em fazer valer a aliança prioritária estabelecida com o PMDB e chamar o partido, especificamente o líder da bancada na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), para negociar.

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Cunha travou o 1º embate envolvendo os interesses do governo desde que assumiu a liderança do PMDB

A presidente Dilma Rousseff optou por não sugerir ao vice-presidente Michel Temer a troca do líder e entendeu que houve falhas na condução das conversas. Nesta semana, a estratégia foi outra. Por ordem da presidente, as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) se dedicaram ao diálogo com o líder peemedebista em sucessivas reuniões, que tiveram início na noite de segunda-feira, se seguiram até a manhã e a tarde de terça-feira.

A MP dos Portos facilita a entrada do setor privado no sistema portuário brasileiro, garantindo investimentos de R$ 54,2 bilhões. Este foi o primeiro embate envolvendo interesses do governo, desde a chegada de Eduardo Cunha na liderança do maior partido aliado.

No PMDB, é comum a avaliação de que o Planalto foi duro durante todo o tempo e só diante da possibilidade de derrota pediu ajuda aos caciques do partido e aceitou ceder em alguns pontos.

Além de chamar Cunha para conversar, Gleisi e Ideli pediram ajuda a Temer, ao presidente do partido, Valdir Raupp (RO); ao presidente do Senado, Renan Calheiros (AL); ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e até ao ministro Moreira Franco (Aviação Civil) que, por ser do Rio de Janeiro, tem um trânsito melhor com Cunha. O objetivo das conversas era o de convencer o líder a não obstruir a votação.

Cunha, no entanto, prosseguiu na estratégia de esvaziar a votação. Ao enfrentar publicamente o Palácio do Planalto, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), uniu a bancada do partido – feito que, desde a acirrada campanha que o levou à liderança, não havia conseguido.

Nesta terça, pelo enfrentamento, saiu aplaudido da reunião da bancada pela manhã. Os deputados liderados também esperaram o término da reunião de Cunha no Palácio do Jaburu, com a presença de Ideli e Gleisi, para saber se o líder daria aval para que eles pudessem marcar presença no painel da Câmara e, assim, dar quórum para a votação da MP dos Portos.

O líder saiu do Jaburu com a garantia de recuo do Planalto em relação a três emendas apresentadas por ele. A principal é de que o governo vai respaldar com a bancada do PT a concessão de novos terminais portuários à iniciativa privada somente após processo de licitação. Essa medida atende a demanda de operadores atuais, que querem também participar das novas rodadas de concessões.

Também ficou acertado que a Agência Nacional de Transportes Aquaviário (Antac) ficará responsável por autorizar as empresas estaduais manterem suas concessões atuais. Nessa emenda, o líder recebeu também apoio do PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que criticou o Planalto de querer retirar a gestão do Estado sobre o Porto de Suape.

Na avaliação de peemedebistas, durante as negociações conduzidas por Cunha, o partido mandou dois recados à Dilma: está insatisfeito com o tratamento dispensado pelo governo e que a sigla tem líderes que precisam ser respeitados na interlocução com o Congresso.

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