Após reunião com o vice-presidente Michel Temer, líder do PMDB Eduardo Cunha acertou que apresentará novo texto complementar à medida provisória

Enquanto a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, conversava com líderes da base aliada do Congresso sobre a Medida Provisória dos Portos, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, se reunia com o vice-presidente Michel Temer, conforme apurou o iG , na tarde desta segunda-feira (13). Os dois entraram em acordo para votar nesta terça-feira (14) a MP elaborada pelo governo para regular o setor portuário. "A conversa evoluiu um pouquinho", disse uma fonte do Planalto.

A votação: Câmara adia votação da MP dos Portos para terça-feira

Também participaram da reunião, liderada por Temer, o ministro Eduardo Cardozo (Justiça) e Gleisi Hoffonman (Casa Civil). A ministra Ideli foi a última a chegar, após ter se encontrado com a liderança do governo no Congresso.

A conversa entre os dois foi um pedido da presidente Dilma Rousseff , que recomendou a Temer que "controlasse" Cunha. No final do encontro ficou acertado que o líder peemedebista retirará da pauta o texto elaborado por ele que inclui uma série de emendas parlamentares contrárias aos interesses do Planalto.

Vista do plenário da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira
Alan Sampaio / iG Brasília
Vista do plenário da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira

Cunha está elaborando nesta noite um novo texto aglutinando os pontos que o governo cedeu. Ele liga para líderes de outros partidos para decidir qual será o texto apresentado nesta terça-feira.

O recuo do governo se deu após Cunha garantir que não manterá a emenda apresentada pelo deputado Paulinho da Força (PDT-SP). O parlamentar fez alterações na proposta original do Planalto adicionando uma série de "caputs" reservando a contratação da mão-de-obra pelos novos terminais portuários privados no mesmo molde dos portos estatais. Ou seja, uma lista de trabalhadores que obrigatoriamente deveriam ser contratados. O Planalto é contra essa medida e será a primeira a ser derrubada por Eduardo Cunha.

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A posição do Planalto, até então, era de que a votação deveria ser o projeto original enviado ao Congresso. Após polêmica entorno do tema, o governo precisou recuar para que a MP não perdesse o prazo de votação no Congresso, que seria na próxima quinta-feira. O que está em jogo é um total de R$ 54,2 bilhões de investimentos privados que o Palácio do Planalto calcula a partir da nova regulação do portos.


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