'Estarei nas ruas 24 horas por dia', diz Lula sobre ser cabo eleitoral em 2014

Por Agência Estado |

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"A experiência bem sucedida desse país tem que continuar", disse durante lançamento e debate do livro "10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma"

Agência Estado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que vai participar como cabo eleitoral do PT nas eleições de 2014. "Pode ficar certo que eu vou estar participando das eleições, sou cabo eleitoral, estarei nas ruas 24 horas por dia", afirmou nesta segunda-feira o ex-presidente.

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Leandro Martins/Futura Press
Lula durante o debate de lançamento do livro "10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma"

"A experiência bem sucedida desse país tem que continuar", completou, durante lançamento e debate do livro "10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma", da Boitempo Editorial, organizado pelo cientista político Emir Sader.

"Presidente não pode contar tudo o que aconteceu"

O ex-presidente admitiu na noite desta segunda-feira que um presidente da República não pode levar a público tudo o que aconteceu durante sua gestão. "Nenhum presidente pode escrever um livro de verdade. Porque ele não pode contar tudo do que aconteceu no seu mandato presidencial.

As conversas com outros chefes de estado, as reuniões ministeriais", disse Lula, afirmando que, por isso, não escreveria uma "biografia meia boca".

"Eu não posso escrever um livro e não contar tudo. Seria uma biografia daquelas eu me amo e só tenho virtudes. Então resolvi não fazer", completou. Segundo ele, o que está organizando é um livro com uma entrevista pessoal do petista e também de membros da sociedade brasileira.

O ex-presidente fez o comentário durante lançamento do livro "10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma", da Boitempo Editorial, organizado pelo cientista político Emir Sader e assumiu ainda não ter lido a obra, para a qual concedeu uma entrevista. Ele brincou, contudo, dizendo que tem "lido demais" depois que deixou a presidência e, principalmente, após o diagnóstico de um câncer, pois se preocupa em "chegar mais culto lá em cima".

Lobista

Lula criticou o que chama de "tentativa de transformá-lo em lobista" por parte da imprensa. "Tem um jornal agora que está tentando me transformar num lobista. Eu não sou lobista, não sou conferencista e não sou consultor, a única coisa que eu sou é um divulgador das coisas que eu fiz nesse governo."

"As pessoas talvez fiquem preocupadas porque eu cobro caro e não falo quanto cobro. Mas se as pessoas pagam para ouvir um governante fracassado, têm que pagar bem", brincou, arrancando aplausos da plateia. "Se quiserem saber o quanto eu cobro me contratem."

Durante sua crítica à imprensa, Lula destacou os feitos econômicos dos governos petistas, como a geração de 22 milhões de empregos, mantendo inflação sob controle e redução da dívida pública. De acordo com ele, algum estrangeiro que chega ao País e lê as notícias dos jornais nacionais pode achar que "o País acabou". "Mas vamos supor que nós sejamos incompetentes (para conseguir os feitos conquistados) e ainda assim tenhamos sorte, pelo amor de deus, não vote em ninguém que não tenha sorte", ironizou.

Em uma plateia majoritariamente formada por universitários e jovens, ele fez ainda um clamor para que a sociedade não desanime com a política. "Eu fico horrorizado quando eu leio noticias tentando desestimular a política. Nos momentos mais difíceis, ao invés de vocês desistirem, assumam a política para vocês e mudem o que vocês quiserem mudar nesse país", concluiu.

Classe média

O evento contou com apresentações dos também colaboradores do livro Marilena Chauí e Marcio Pocchmann. A filósofa fez uma contundente crítica à classe média brasileira, destacando que prefere chamar os brasileiros que ascenderam socialmente nos últimos dez anos de "uma nova classe trabalhadora".

"Esses direitos dos trabalhadores foram conquistados com 20 anos de luta e dizer que essas lutas fizeram a gente voltar para a classe média: de jeito nenhum", disse, afirmando ainda que a classe média é "arrogante, conservadora, um atraso de vida".

Lula, que falou após Marilena, brincou: "Depois de tantos anos de luta que eu cheguei a ser considerado classe média essa mulher avacalha a classe média".

Legado

Com sua tradicional máxima "pela primeira vez na história desse País", o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que seu maior legado enquanto presidente da República foi permitir que o Palácio do Planalto fosse uma casa "de todos".

O grande legado é que eu mostrei que é possível um governante governar de forma republicana sem odiar aqueles que lhe odiaram", comentou Lula, para a plateia que participava do debate de lançamento do livro.

Lula afirmou que o que inspirou "ódio" em seus críticos e opositores foi o sucesso de seu governo. "(Se eu fracassasse) Eles falariam bem de mim. Coitadinho do operário, chegou lá, mas ele não tem culpa, ele não estava preparado. Agora quando nós começamos a fazer sucesso é que inspirou o ódio." O ex-presidente voltou a dizer que tinha consciência de que deveria governar para "todo mundo".

"A gente não pode gostar do povo só quando é candidato, a gente tem que gostar, sobretudo, quando ganha as eleições", afirmou o ex-presidente, reforçando que será cabo eleitoral do PT nas eleições do próximo ano. O petista aproveitou para criticar seus antecessores, dizendo que, ao deixar a presidência, fez questão de registrar em cartório um "inventário do governo" com "cada centavo de cada obra", o que, segundo ele, não foi feito nos governos anteriores. "Se antes não tiveram coragem de dizer o que fizeram, eu tenho orgulho de dizer cada coisa que eu fiz e cada coisa que eu não fiz", comentou Lula, ressaltando que tinha consciência que estava "de passagem" no Planalto.

O ex-presidente lembrou, sem citar nominalmente, o episódio do mensalão, dizendo que, em 2005, "a elite e uma parte da imprensa apregoava aos quatro cantos do mundo que o governo Lula tinha acabado". "Eu disse: não vou fazer como Getúlio (Vargas) e dar um tiro no coração. Eu sinceramente vi o que eles fizeram com o JK (Juscelino Kubitschek)", afirmou Lula, dizendo que JK sofreu o mesmo que posteriormente o petista passou quando concorreu à presidência. "Diziam: não pode concorrer. Se concorrer, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar", completou.

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