'O primeiro passo é dar um fim na burocracia', diz Afif sobre ministério

Por Brasil Econômico - Pedro Vecenslau | - Atualizada às

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Nomeado para Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif afirma que abrirá mão do salário de vice-governador e diz que pasta não será órgão de distribuição de verbas

Brasil Econômico

O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, assumiu nesta quinta-feira (9) o comando do 39° ministério do governo Dilma Roussef, o da Micro e Pequena Empresa.

Em entrevista ao Brasil Econômico, ele revela que abrirá mão do salário de vice-governador (de R$ 15 mil) e ficará com a remuneração de ministro, de R$ 26,7 mil.

"Renúncia é uma coisa grave. Fui eleito. Tive voto. Estou honrando meu mandato e trabalhando por São Paulo e pelo Brasil em um campo que o eleitor me conhece".

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Apesar da convicção, Afif afirma que está pronto para qualquer decisão judicial. "Uma coisa é o problema jurídico, outra é o político. Alguns usam a capa de jurídico, mas estão agindo politicamente".

Sobre os desafios da pasta, que tem um orçamento pequeno, ele diz que a principal será desburocratizar a vida dos microempreendedores.


O senhor vai acumular mesmo os dois cargos, de vice-governador e ministro?

Não existe acúmulo de função. Vamos esclarecer isso. Tenho que fazer uma opção entre a remuneração de governador e a de ministro. Acabei de mandar a carta. Fiz opção pelo (salário) de ministro.

Estou pedindo a exoneração da função de presidente do Conselho Gestor das PPS. Além disso, o cargo do vice é eleito. O vice é expectativa de poder. A legislação hoje nem proíbe, nem autoriza. Ela é omissa. Não estou infringindo lei nenhuma.

O deputado estadual paulista Carlos Gianazzi, do Psol, pediu sua cassação na Justiça. O que diz sobre isso?

Uma coisa é o problema jurídico, outra é o político. Alguns usam a capa de jurídico, mas estão agindo politicamente. Quem está por trás disso é o Ministério Público. Acho bom que esse assunto avance. Se há dúvida, o judiciário vai dirimir. Estou pronto para qualquer decisão judicial.

Se o governador Alckmin se ausentar do cargo, o senhor terá que deixar o país?

Não. O vice não está impedido de assumir outro cargo, mas o governador está. Sendo assim, se o governador se ausenta, o vice se torna governador. Ou seja: ele não pode assumir outro cargo e precisa ser exonerado, mesmo que temporariamente.

Se é tão complicado, porque não pedir a renúncia de uma vez?

Renúncia é coisa grave. Fui eleito. Tive voto. Estou honrando meu mandato e trabalhando por São Paulo e pelo Brasil em um campo que o eleitor me conhece.

Como está a sua relação com o PSDB?

Sempre tive com o governador o melhor dos relacionamentos, mesmo no episódio que fui exonerado do cargo de secretário por pressões políticas do PSDB pelo pecado de ter criado outro partido.

Qual o tamanho da sua equipe em São Paulo?

Tenho uma equipe de segurança muito enxuta. Mínima. Não ando com escolta. Já fui assaltado. Uso muito meu carro próprio no fim de semana. Sou meio arriscado nisso. O restante da equipe é permanente da Casa Civil a serviço do vice e outra da função que ocupo no conselho gestor das PPPs.

Sua missão no governo Dilma vai significar o alinhamento do PSD com a presidente?

Não faríamos isso, mas há uma forte tendência do partido de apoiar a reeleição dela. Está se criando um consenso. O partido pediu que fossem respeitados os arranjos políticos locais. O apoio é uma tendência no PSD, mas temos uma posição de não querer assumir cargos. Só depois que ela for eleita.

E em São Paulo?

A diretriz é buscar aumentar a bancada federal do PSD. Para isso, precisamos de participação majoritária nos estados como cabeça de chapa onde for possível. São Paulo está dentro dessa regra.

O ministério terá um orçamento pequeno, de R$ 7 milhões. Como driblar a falta de recursos?

Esse não é um ministério de distribuição de verbas, mas de coordenação de políticas públicas voltadas para os pequenos (empresários). Pela ausência de um órgão coordenador, os empresários não têm acesso aos inúmeros projetos que o estado administra. A pasta terá que ser atuante nos conselhos de bancos estatais e na coordenação com o Sebrae. O ministério é uma peça importante. Para ser eficaz precisa ser enxuto.

Tem algum projeto de linha de crédito ou incentivo para os pequenos empresários?

O primeiro passo é a desburocratização. O outro é dar uma forte turbinada no micro crédito. A presidente anunciou que está as reduzindo mais as taxas de operação de microcrédito.

Para o micro empresário acessar, precisamos combater o maior inimigo: a burocracia. O ministério vai assumir a função da desburocratização dos sistemas. Estamos na vergonhosa posição 138° país em termos de ambiente de negócio, em abertura de fechamento de empresa.

Esse novo ministério não vai esvaziar o Sebrae?

Pelo contrário. Ele vai fortalecer. O Sebrae se ressente de um orgão de coordenação de políticas públicas. Não vejo dificuldade em me entrosar com o Sebrae. Conversei com o presidente hoje. Até porque, um decreto da presidente Dilma vai me fazer sentar no Conselho do Sebare para facilitar o entrosamento.

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