Sem Dilma, festa do 1º de Maio terá Aécio no palco das centrais sindicais em SP

Por Natália Peixoto - iG São Paulo |

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Shows e comícios marcam as comemorações em São Paulo, mas festa comandada por Paulinho da Força deve ser marcada por discursos anti-governo

Não só com shows e sorteios será celebrada a festa do 1º de Maio Unificado, que reúne Força Sindical, CTB, UGT e Nova Central, em São Paulo. O evento terá a presença de tucanos de peso, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador mineiro Aécio Neves, provável candidato à Presidência em 2014. Outro possível adversário da presidente Dilma Rousseff nas eleições, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi convidado, mas alegou problemas de agenda para não comparecer. 

Dilma, por sua vez, optou por ficar longe da festa e preferiu usar a TV para anunciar entre outras medidas, subsídios para a compra de eletrodomésticos da chamada linha branca para beneficiados do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Em seu lugar, Dilma mandará representantes: os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-geral da Presidência) e Manoel Dias (do Trabalho). 

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Comemorações do dia do trabalho na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte de SP, no ano passado

Paulinho da Força (PDT-SP), que comanda as comemorações do Dia do Trabalho, promete transformar o evento - que deve reunir 1 milhão de pessoas - em um ato de oposição contra Dilma e deve endurecer ainda mais o discurso, cobrando do governo avanços nas bandeiras trabalhistas, como o fim do fator previdenciário e a redução da jornada para 40 horas semanais. Outro tema na pauta será a proposta de retorno do gatilho salarial para reajustes de salários. Também devem discursar Aécio e Alckmin.

“Vai ser uma festa de oposição, para cobrar o governo”, avisa o deputado estadual Antonio Ramalho (PSDB), o Ramalho da Construção, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) e do Núcleo Nacional Sindical tucano. Ele não poupa críticas às desonerações. "(O governo) estão perdidos e não sabem qual é o tiro que é preciso dar para assustar e abaixar a inflação, sem exagerar nos juros”, afirmou.

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Para tentar apaziguar os ânimos, o governo se reuniu nesta terça-feira, véspera do Dia do Trabalhador, com sindicalistas e definiu uma mesa de negociações. Entre os assuntos que o governo não aceitou discutir da pauta de reivindicações apresentada no início de março, no entanto, estão a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e o fim do fator previdenciário.

Na lista acordada entre governo e sindicalistas da CUT constam temas como terceirização de mão de obra, combate à informalidade do trabalho, redução da rotatividade, regulamentação da Convenção 151 da OIT, fortalecimento do Sine (Sistema Nacional de Emprego), política de medicamentos, especialmente para aposentados, além da participação dos trabalhadores no Pronatec e no Pronacampo.

Ausências de adversários

Convidada, outra opositora de Dilma, a ex-senadora Marina Silva, cancelou a presença no evento. Marina, que luta para conseguir abrir a Rede, seu novo partido, dentro do prazo para concorrer às eleições de 2014, alegou ter outros compromissos. O argumento de conflito de agenda foi o mesmo usado por Campos, que já começou a se distanciar da base da presidente Dilma e sinalizar que pode concorrer à Presidência no ano que vem.

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O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, disse que não houve um acerto prévio sobre os assuntos que serão abordados pelos políticos convidados pelos sindicalistas. Juruna diz que são esperadas mais de 1 milhão de pessoas nas comemorações.

A festa da Força Sindical, realizada em parceria com a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), acontecerá na Praça Campo de Bagatelle, na zona Norte, entre às 9h e 15h de hoje.

Nas comemorações, estão marcados shows de duplas sertanejas como Fernando & Sorocaba, Bruno & Marrone, Zezé Di Camargo & Luciano, João Neto & Frederico, a dupla de palhaços Patati & Patatá, Art Popular, Belo e Restart, além do sorteio de 19 carros da Hyundai.

CUT

Na festa da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o ministro Gilberto Carvalho também foi escalado para representar a presidente Dilma. Mesmo com a CUT, que tradicionalmente mantém melhor relação com o governo petista, o clima não estava dos melhores. O convite para participar da festa, organizada pela representação da CUT em São Paulo, chegou a Dilma há cerca de um mês e, de acordo com a central, ficou sem resposta. Por isso, a reunião no Planalto na véspera do 1º de Maio foi uma sinalização importante para amenizar o clima. 

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Além de Carvalho, a CUT também conta com a presentaça de Manoel Dias e do secretário municipal de Esportes da capital, Celso Jatene, também deve discursar.

O tema do evento este ano é a Desenvolvimento Econômico e Sustentabilidade, e assuntos como Código Florestal, reforma agrária, recursos energéticos e consumo consciente estarão em foco nas discussões com os trabalhadores. A festa acontece no Vale do Anhangabaú, no centro, das 10h às 19h30, com shows de Leonardo, Oswaldo Montenegro, Alceu Valença, Fernando e Sorocaba, Art Popular, entre outros.

Para as comemorações no ABC paulista, a CUT realizou uma série de mobilizações sobre a democratização dos meios de comunicação, por meio da campanha “Quero Falar Também!”, que reúne uma série de 15 vídeos na internet produzidos pela TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O objetivo da campanha é recolher assinaturas para um projeto de iniciativa popular para criar um marco regulatório para o setor.

Com Luciana Lima, iG Brasília

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