Ministro Gilberto Carvalho respondeu às críticas de Aécio, que cobrou um ‘governo para os trabalhadores’ na festa da Força Sindical

O palco da festa do Dia do Trabalhador da Força Sindical ficou dividido entre os críticos e os defensores do governo da presidente Dilma Rousseff , ausente nas comemorações. Em discurso, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu um governo para os trabalhadores e não só voltado para o empresariado, em crítica à atual gestão. Depois, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que o governo aceita as observações como "parte do debate", mas questionou a atuação do senador tucano junto aos trabalhadores.

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"Se o Aécio veio aqui, foi muito bom ele ter vindo. Mas era importante que eles (oposição) tivessem vindo antes, que eles viessem em 1995, 1996, 1997, 1998", afirmou Carvalho sobre o fato de os tucanos, quando estavam no governo, não se aproximaram dos trabalhadores. Aécio é o nome mais cotado para ser adversário de Dilma pelo PSDB nas eleições de 2014 e chegou como convidado de honra do Paulinho da Força, deputado do PDT, que também aproveitou o evento para coletar assinaturas de seu novo partido

"Se tem uma coisa que nunca tivemos medo é do debate, da discussão. E temos uma tranquilidade de vir aqui, porque há dez anos não era assim. Grande parte dessa gente que está aí (na plateia) não tinha acesso a nada", disse Carvalho. O ministro, que representava a presidente Dilma na festa, afirmou que participar de manifestações e eventos como o de hoje é positivo porque é "bom ouvir" os diversos segmentos da sociedade. "Quando você ouve, você fica mais humilde. Se eles (oposição) tivessem feito isso (ouvir os trabalhadores), estaria mais fácil para o Brasil hoje. Nós tivemos que consertar um monte de coisas. Em 10 anos não se conserta tudo", completou. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também partipou das comemorações. 

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Aécio Neves foi colocado como um dos destaques da festa. No palco, permaneceu em primeiro plano, ao centro, por boa parte do ato político, quando os sindicalistas criticaram o governo Dilma pela inflação alta e pela falta de diálogo com os trabalhadores. Questionado sobre o tratamento conferido ao tucano, Carvalho afirmou: "Ele (Paulinho) convidou o cara, ele achou que era gentil apresentar, não tem nenhum problema. Nós estamos aí, o (ministro do Trabalho) Manoel Dias, eu", disse o secretário-geral da Presidência.

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Carvalho buscou minimizar as críticas feitas pelo dirigente da Força de que o governo não dialoga com os trabalhadores. "A relação entre central sindical e governo tem que ser tensa, porque eles têm que tentar o tempo todo avançar mais e nós temos que tentar o tempo todo atendê-los", disse aos jornalistas. Ele ressaltou que o governo respeita a autonomia das entidades sindicais e se importa apenas com a pauta apresentada por cada uma em defesa dos trabalhadores. "Se tem alguém que não economiza recurso para cuidar dos pequenos e dos pobres se chama Dilma Rousseff", disse.

Dilma optou por ficar longe da festa e preferiu usar a TV para anunciar entre outras medidas, subsídios para a compra de eletrodomésticos da chamada linha branca para beneficiados do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. E, para apaziguar os ânimos e não correr o risco de ser acusada de não dialogar com as centrais sindicais, a presidente mandou abrir a pauta de negociações com a CUT na véspera do 1º de Maio

Na festa, a CUT reforçou a luta pela redução da jornada de trabalho e cobrou mais diálogo com o governo federal. A entidade também recolheu assinaturas para a campanha do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) , que prevê a criação de um marco regulatório para o setor. O fórum espera recolher 1,3 milhão de assinaturas para aprovação de um documento regulatório, que já foi elaborado por 30 entidades da sociedade civil e do movimento social, para ingressar no Congresso Nacional. 

Com Agência Estado e Agência Brasil

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