Por Dilma, PT nacional vai intervir nas alianças estaduais

Por Luciana Lima , iG Brasília |

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Considerada prioridade, a reeleição da presidente deverá pautar todas as alianças nos Estados; partido não aceitará nenhuma coligação que ameace o palanque de Dilma

O PT está pronto para intervir nos Estados, caso as alianças a serem fechadas com vistas a 2014, não atendam aos interesses de reeleição da presidente Dilma Rousseff, prioridade já definida pelo diretório nacional. O partido vem analisando caso a caso e traçando estratégias para driblar conflitos. Mas, de antemão, já prevê que enfrentará dificuldades, principalmente no Rio de Janeiro, em Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul.

“A orientação é de que todas as decisões de disputa nos Estados terão que ser fechadas na esfera nacional. Vamos acompanhar as decisões Estado por Estado. Se precisar, o diretório nacional vai intervir”, informou o secretário de Comunicação do partido, Paulo Frateschi.

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Prioridade do PT é a reeleição de Dilma em 2014 e, para tanto, o partido traça estratégias para driblar conflitos

Ainda não há pesquisas formais de popularidade, mas o PT considera que a avaliação da presidente é positiva. Outro ponto positivo identificado pelo partido em análises internas é que a proximidade de Dilma com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é bem vista pela população. No programa do partido, que vai ao ar no dia 9 de maio sob a batuta do publicitário João Santana, Lula e Dilma serão as estrelas.

Recado

O grande nó das conversas está no Rio de Janeiro. O partido terá que resolver o conflito gerado pela já colocada candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) ao governo do Estado. Embora o senador insista em não retirar seu nome da disputa, ainda não há uma posição tão firme por parte do PT nacional, de Dilma e de Lula que, de fato, têm dado as cartas na condução do processo eleitoral.

AE
PT terá que resolver o conflito gerado pela candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do Rio

Há um mês, ao participar de um dos seminários do partido em Fortaleza, Lula frisou que o “fundamental” era a reeleição de Dilma. O recado foi lido como indireta e imediatamente repassado ao senador, por telefone, por um dos presentes ao encontro.

Nesse contexto, não há por parte da direção do partido resistência em apoiar, em nome da aliança prioritária com o PMDB, a candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão, lançado pelo governador Sérgio Cabral, tão logo se definiu a eleição municipal no ano passado.

Além disso, o PT considera que Lindbergh assumiu um compromisso com o PMDB, na campanha em 2010, de estar com Cabral em 2014, após sua eleição para o Senado.

Uma solução para esse impasse seria oferecer a Lindbergh a garantia de que será o candidato à prefeitura da capital fluminense em 2016, costurando o apoio do PMDB. Até porque já existe um entendimento de que em 2018, o candidato natural desse campo político, caso a aliança persista, seria a do atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB).

“Truque tucano”

O partido também quer evitar, ao máximo, problemas com aliados em Pernambuco. A avaliação da direção nacional é de que Lula e Dilma gozam no Estado e na Região Nordeste de prestígio eleitoral equivalente ou até maior que o do governador Eduardo Campos, provável adversário na disputa presidencial. No entanto, esse prestígio não se reflete na avaliação das lideranças locais petistas.

Divulgação/Governo de Pernambuco
Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, está entre os prováveis adversários de Dilma

Campos é visto como o aquele que surfou nos projetos sociais e investimentos feitos pelos governos petistas que tiveram ênfase no Nordeste. O PT aposta que o governador pernambucano perderá votos ao ser colocado como instrumento dos tucanos no projeto de levar as eleições para o segundo turno. A ideia de que Campos é um “truque tucano” certamente estará na campanha nacional.

Evitar conflitos, no entanto, não significa que o partido descarta trabalhar candidatura própria ao governo de Pernambuco. Um nome visto com simpatia pela cúpula do partido é o do ex-prefeito de Recife João Paulo Lima e Silva.

“Metrô”

Já na Bahia, a avaliação preliminar do PT é de que o governador Jaques Wagner tende a sentir nas urnas o desgaste trazido no ano passado pelas greves de professores e de policiais militares. Wagner, segundo petistas, demonstrou incapacidade de diálogo com os policiais militares e com professores.

Para o partido, o sinal de que a situação não é favorável foi dado nas eleições municipais. Apesar de ter vencido, com aliados em 70% dos municípios baianos, o partido perdeu a Prefeitura de Salvador, eleitorado decisivo em na disputa estadual para Antônio Carlos Magalhães Neto.Um dos nomes prováveis para a disputa na Bahia é o do senador Walter Pinheiro (PT).

Conta a favor da candidatura presidencial, na avaliação petista, o comportamento moderado que vem sendo adotado pelo prefeito ACM em relação ao governo federal. Desde que assumiu a prefeitura, ACM Neto  não tem feito um discurso de oposição à Dilma e, em algumas ocasiões, chegou a elogiá-la.

Diante disso, a tentativa de reverter a imagem passará pela decisão de Wagner e do governo federal de priorizar investimentos para concluir uma parte do Metrô de Salvador antes da Copa do Mundo. A obra é emblemática devido aos constantes adiamentos e denúncias de desvios de recursos públicos.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a situação não é muito favorável à reeleição do governador Tarso Genro, na visão do PT. No entanto, o partido avalia que, se não é fácil para Tarso, também é difícil para todas as outras legendas. O eleitorado gaúcho tem uma tradição de não continuidade nas administrações. Desde 1998, quando a reeleição passou a ser permitida para cargos do Executivo no Brasil, nenhum governador foi reeleito no Estado, alternando governos do PDT, PMDB, PSDB e PT. Some-se a isso, a dificuldade dos petistas gaúchos, considerados mais de esquerda, de estabelecerem alianças com outros partidos.

A direção do PT avalia que no ano passado, na disputa pela capital gaúcha, o diretório local fez “bobagem” ao não apoiar a reeleição do prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), o que renderia o apoio automático dos pedetistas à reeleição de Tarso Genro.

O prestígio da presidente, no entanto, é grande no Rio Grande do Sul. Dilma tem bom trânsito no PDT local, do qual fez parte e participou do governo de Alceu Colares, antes de se filiar ao PT. Para consolidar a vantagem em relação a Aécio e Campos no Estado, o PT já decidiu que a presidenta dará uma atenção maior aos gaúchos. Porto Alegre está na lista das cidades que receberão um dos seminários de 10 anos do partido, com a presença de Lula e Dilma.

Passado

Caso ocorra intervenção para reverter decisões locais, não se pode dizer que será um fato inédito. Experiências anteriores, no entanto, produziram efeitos negativos para o partido. Um exemplo recente ocorreu nas eleições municipais, no ano passado. A executiva nacional interveio no diretório municipal de Recife, suspendeu as prévias e forçou a candidatura do senador Humberto Costa à prefeitura da capital pernambucana. Além de perder a eleição para o candidato de Eduardo Campos, Geraldo Júlio (PSB), o partido saiu esfacelado da disputa.

É comum a avaliação entre integrantes da legenda de que o partido perdeu para ele mesmo na campanha pela prefeitura de Recife. Disputavam as prévias o ex-deputado Maurício Rands e o então prefeito da capital pernambucana João da Costa. Depois desse episódio, Rands anunciou sua desfiliação do partido em uma carta que também comunicou sua saída da vida pública.

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