Secretário de Alckmin tem elo com suspeito de fraudes

Por Agência Estado | - Atualizada às

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Dono de empreiteira preso na Operação Fratelli tem ligações com ex-assessor do atual chefe da Casa Civil do governo estadual, Edson Aparecido

Agência Estado

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Edson Aparecido, chefe da Casa Civil do governo Alckmin

Deflagrada na semana passada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para apurar fraudes em licitações em 78 prefeituras do interior paulista, a Operação Fratelli revelou uma estreita ligação entre Edson Aparecido, hoje chefe da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), e Olívio Scamatti, dono de empreiteira preso na terça-feira (9) sob suspeita de chefiar o esquema.

Assessor que trabalhou durante oito anos com Aparecido, Osvaldo Ferreira Filho, conhecido como Osvaldinho, também está entre as 13 pessoas da região de São José do Rio Preto, no noroeste do Estado, presas pela operação. O ex-auxiliar do número dois de Alckmin é apontado como o elo entre a Demop, empreiteira de Scamatti que está no centro do escândalo, e as prefeituras.

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Segundo consta dos autos da operação, Osvaldinho também "manteria estreito contato com alta autoridade do governo do Estado, o que facilitaria a atuação do grupo apontado como criminoso para a liberação de recursos".

O próprio Aparecido foi flagrado em conversas telefônicas com o empreiteiro. Elas ocorreram em 2010, quando exercia o mandato de deputado federal pelo PSDB. Em uma dessas conversas, o parlamentar tucano faz um alerta para o dono da Demop.

Segundo relatório dos investigadores, Aparecido fala de problemas em um asfaltamento mal feito na cidade de Auriflama, administrada na ocasião por um aliado do parlamentar, o prefeito José Jacinto Alves Filho, o Zé Prego. Aparecido pede ao empreiteiro que mande máquinas ao local para que o prefeito as fotografe e envie ao Ministério Público, a fim de mostrar que providências já estariam sendo tomadas.

Ainda segundo os investigadores, Aparecido conclui na conversa gravada: "Se abrir processo, a região inteira contamina" (sic).

A Demop atua em quase todas as cidades do noroeste paulista. Boa parte das licitações que renderam contratos com prefeituras para a empreiteira está sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público.

Sobre o caso, Alckmin afirmou ter "absoluta confiança" no número dois do seu governo. "Tenho absoluta confiança no trabalho do secretário Edson Aparecido. Conversei com ele (sobre o assunto) e quero reiterar a minha confiança nele", afirmou Alckmin.

Doadora e assessor

Aparecido não é alvo direito da investigação em curso. Ele apareceu nos grampos da operação porque mantinha contato telefônico com o dono da empreiteira e com o seu ex-auxiliar. A Demop foi doadora da campanha em 2006 do agora chefe da Casa Civil do Estado. A empreiteira fez dois repasses ao tucano, um de R$ 42,4 mil, outro de R$ 49,2 mil, totalizando R$ 91,6 mil. Osvaldinho foi assessor de Aparecido na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

O assessor chegou a representar o tucano quando este era deputado estadual, na primeira metade da década de 2000, em uma reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do Tietê-Batalha e na assinatura de um convênio da secretaria estadual de Habitação com a cidade de Votuporanga para a realização do asfaltamento de uma avenida local.

Segundo Aparecido, o antigo aliado se desligou de seu gabinete em 2010, "talvez um pouquinho antes, para tocar a vida".

O chefe da Casa Civil de Alckmin admite contatos com o empreiteiro apontado como chefe do esquema de fraudes em licitações, mas afirma que ele "nunca solicitou nada que indicasse qualquer irregularidade". Aparecido ressalta que as doações de campanha foram registradas e diz confiar na inocência do ex-assessor. "Ele (Osvaldinho) vai responder à altura", afirmou o tucano.

Os investigadores afirmam que Osvaldinho, que hoje é dono de uma pequena empresa de logística, mantinha "contatos em prefeituras para tratar da montagem de licitações". Ele definia, dizem os autos, as empresas que seriam convidadas para concorrer a contratos. Também apontava "convênios cujas verbas seriam empregadas em licitações fraudadas". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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