PPS aprova fusão com PMN e corre contra o tempo para criar novo partido

Por Marcel Frota - iG Brasília | - Atualizada às

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Em busca de novos quadros, dirigentes veem como ameaça a votação do projeto 4470/12, que proíbe transferência de tempo na propaganda eleitoral e recursos do Fundo Partidário

Correndo contra o tempo e para fugir do isolamento, o PPS aprovou o dispositivo que permite a fusão do partido com outras legendas. A medida foi votada no início na noite deste sábado pelo Diretório Nacional do PPS, que se reuniu em Brasília. O alvo é o PMN, mas o dispositivo aprovado permite que outras siglas entrem no acordo. O PPS vem flertando também com PEN, PTN e PHS. A decisão está tomada, mas precisa ser referendada no Congresso Nacional Extraordinário, que foi marcado para a próxima quarta-feira (17), na capital federal.

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Alan Sampaio / iG Brasília
Medida foi votada na noite deste sábado pelo Diretório Nacional do PPS, que se reuniu em Brasília

Se posicionaram contrariamente à fusão e foram votos vencidos delegados do Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Porém, as principais estrelas do PPS falaram a favor da união com o PMN. Nomes como o ex-ministro Raul Jungmann, Davi Zaia, presidente do PPS paulista e secretário de Gestão Pública de Geraldo Alckmin (PSDB), Soninha Francine e Rubens Bueno, líder do PPS na Câmara dos Deputados. O argumento dessa corrente se traduz basicamente na ideia de que com a fusão, o PPS pode atrair novos quadros com mandato e sair do isolamento que se encontra atualmente para dessa forma ganhar relevância no espectro de oposição ao PT e à presidente Dilma Rousseff.

"É a melhor maneira de sair do isolamento que nos encontramos e ter peso nas definições relativas às eleições de 2014. Isso é o que conta", disse Jungmann em defesa da fusão. "O partido tem de ter mais influência. Somos pequenos numa opsição que já é pequena. Queremos crescer. E se pudermos atrair mais gente descontente sem medo de perder mandatos, ótimo", declarou Soninha.

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Os defensores da fusão procuraram convencer os demais de que era preciso aprovar a convocação do Congresso Nacional Extraordinário nesta quarta-feira e agilizar a união para evitar protelações. O alvo do temor está na pauta da Câmara dos Deputados. Trata-se do PL 4470/12, do deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), cujo texto determina que deputados não podem carregar consigo, caso mudem de partido, tempo na propaganda eleitoral e recursos do Fundo Partidário para as legendas para onde decidam se transferir. Ou seja, o que o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) conseguiu na Justiça ao fundar seu partido não será mais aplicável.

"Quarta-feira estaremos no cartório", resumiu Bueno. E a pressa dele e dos que defenderam a fusão não é a toa. O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), declarou na última quinta-feira que pretende incluir na pauta de votação da próxima semana o PL 4470/12.

A reunião teve momentos exacerbação. Roberto Percinoto, presidente do diretório carioca do PPS, se posicionou contrário à fusão e argumentou que o processo foi pouco discutido internamente. Durante sua fala, aos gritos tentou convencer os correligionários que a convocação do Congresso Nacional Extraordinário em prazo tão curto iria contra o estatuto do partido. "Seremos desmoralizados. Me nego a aceitar uma coisa enfiada goela abaixo. Ninguém sabia disso (fusão) no Rio de Janeiro", discursou. Não convenceu.

PMN e detalhes

A presidente nacional do PMN, Telma Ribeiro, acompanhou de longe parte da reunião do Diretório Nacional do PPS. Ela e outra dirigente do partido estão hospedadas no mesmo hotel em que o PPS fez sua reunião. O PMN, que tem 23 anos de registro definitivo, ainda trabalha internamente para viabilizar a convocação de uma Convenção Extraordinária. "Não posso atropelar meus companheiros", resumiu Telma, que trabalha para fazer a convocação no mesmo dia em que o PPS fará seu Congresso Nacional Extraordinário.

Existem, entretanto, algumas arestas que precisam ser tratadas pelos dois partidos. O nome da nova legenda é uma delas. O PMN defende o uso do mesmo nome que seria usado quando quase se uniu ao PPS e ao PHS em 2006: Mobilização Democrática. Outro ponto delicado diz respeito ao número de registro desse novo partido. A presidente do PMN não abre mão do seu 33. "É condição sine qua non, senão vou embora. Tem certas condições que não abro mão", disse Telma.

O problema terá de ser conversado ainda. "O ideal é mudar o nome e o número para caracterizar um novo partido", disse o líder do PPS na Câmara dos Deputados. Segundo Bueno, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, foi orientado por advogados a adotar nome e número novos. Mesmo o nome Mobilização Democrática é rejeitado por integrantes do PPS.

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