Henrique Alves dá por encerrada tentativa de afastamento de deputado da presidência da Comissão de Direitos Humanos, mas sinaliza que não vai tolerar declarações polêmicas

Após reunião com líderes partidários e o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), o presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-AL) afirmou que espera um “comportamento decente" e compatível com o cargo exercido pelo pastor e líder da igreja evangélica Assembleia de Deus Catedral do Avivamento no comando da Comissão de Direitos Humanos. “O discurso e a prática dele aqui não podem ser diferente fora daqui”, afirmou Alves.

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Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, cobra postura de Feliciano
Agência Câmara
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, cobra postura de Feliciano

O presidente da Câmara disse que Felciano teve uma “postura equilibrada e serena” durante a reunião em que parte do colégio de líderes pediu sua renúncia . Feliciano recusou sair e disse que ficaria no cargo.

Herique Alves, contudo, pediu a Feliciano para moderar declarações polêmicas. “Ele não pode dissociar sua função de presidente da comissão com a de pastor que prega na igreja evangélica”, disse. “É incompatível o discurso aqui e uma prática diferente fora daqui. Ele tem de falar como presidente de uma comissão que acolhe as minorias.”

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Para convencer Feliciano, Alves argumentou que após assumir a presidência da Câmara tem tomado cuidado para que suas ações não sejam confundidas com a presidente do PMDB no Rio Grande do Norte. O pastor se comprometeu a não dar declarações polêmicas enquanto permanecer à frente da comissão.

Alves também cobrou de Feliciano que as reuniões da comissão sejam abertas . "Aqui é a casa do povo e essa casa tem que ser exemplar no cumprimento das regras", afirmou em referência ao regimento que proíbe sessões fechadas.

O presidente da Câmara disse que não há mais nada que se possa fazer para atender a demanda popular pela saída de Feliciano do cargo, e cada dia seguirá “com sua agonia”. Os líderes entraram em consenso que afastar o pastor seria desrespeitar o regimento interno.

Pelas regras atuais, isso só é possível ao final de um processo no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. “Eu não posso ser o ditador da Casa”, disse Alves.

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