"Dilma terá dois palanques em São Paulo", diz Michel Temer

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Segundo o vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, o partido terá candidato próprio ao governo do Estado e o favorito é Paulo Skaf

Convencido de que a reprise da aliança nacional do PMDB com o PT “está solidificada” para as eleições de 2014, o vice-presidente da República e presidente nacional do partido, Michel Temer, anuncia que a presidente Dilma Rousseff terá dois palanques em São Paulo. Um deles será o do candidato que o PT escolher. O outro, por decisão irrevogável, será o que for designado pelo PMDB cujo favoritismo é do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

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“O que está definido é que o PMDB terá candidato ao governo de São Paulo em 2014. A presidente Dilma só terá a ganhar. PT e PMDB estão muito próximos e não haverá conflito. As eleições ocorrem em dois turnos. No segundo turno, qualquer que seja o resultado, PMDB e PT estarão juntos de novo”, diz Temer em entrevista exclusiva ao IG.

Antonio Cruz/ABr
Michel Temer (PMDB) diz que vai concentrar energias em São Paulo para enfrentar o PSDB

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, deve ser o candidato do PT. Segundo dirigentes petistas, a definição depende apenas de uma definição de Dilma.

Se não for para o segundo turno, o PMDB deverá repetir a estratégia de 2012 quando Gabriel Chalita, derrotado à Prefeitura de São Paulo, foi o primeiro a anunciar o apoio a Fernando Haddad (PT-SP). Mesmo tendo de viajar pelo país ao lado de Dilma, Temer vai concentrar as energias em São Paulo para ajudar no enfrentamento ao PSDB pelo tema mais vulnerável do governo Geraldo Alckmin, a violência urbana e o crescimento do crime organizado. O vice-presidente foi duas vezes secretário de Segurança de São Paulo.

Temer acredita que Chalita, chamuscado pelas denúncias de corrupção, conseguirá se explicar e recuperar a imagem. Mesmo assim, admite que nas atuais circunstâncias, o nome mais forte pelo PMDB paulista é mesmo o de Skaf. Desta vez, o partido está sonhando mais alto e acha que poderá disputar o governo em igualdade de condições. Mas não tem pressa.

“É muito cedo para candidaturas nos Estados”, diz Temer, afirmando que a precipitação da campanha presidencial acabou influenciando o lançamento de candidatos em todo o País. “Anteciparam demais a campanha presidencial. Em Minas, em 2010, definimos o nome de Hélio Costa só em abril, às vésperas da campanha”, lembra.

Para Temer, as chances de o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sair candidato à presidência em 2014 são hoje de 50%. Mas acredita que as circunstâncias do cenário político jogarão o projeto do PSB ao Palácio do Planalto para 2018. O favoritismo de Dilma e o cacife de Lula, segundo ele, podem demonstrar que o enfrentamento não é viável agora.

“O presidente Lula tem muito prestígio em Pernambuco”, alerta o vice-presidente. Nos cálculos do PMDB boa parte do sucesso de Campos como governador é resultado do enorme volume de recursos que o governo Lula despejou em Pernambuco no primeiro mandato do atual governador. Além do reconhecido prestígio no Nordeste, Lula também é pernambucano, o que tornaria desaconselhável uma disputa que implique no rompimento da aliança atual entre PT e PSB.

Ainda que admita que uma eventual candidatura de Campos possa provocar estragos em outros partidos, Temer garante que, no PMDB, ele só conseguiria votos em Pernambuco por causa da óbvia proximidade com o grupo do senador Jarbas Vasconcelos, um dos “independentes” do partido e crítico ácido do “fisiologismo” atribuído a alas representadas por Temer e pelos senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiro (AL).

O vice-presidente diz que o rótulo de fisiologismo não cabe mais ao PMDB governista que, segundo ele, conquistou espaço e protagonismo correspondentes a deveres e direitos no poder.

“O PT é fisiológico? Não. Venceu e tem o direito de governar. Por que então o PMDB não pode ter posições no governo?”, observa Temer. Segundo ele, o PMDB teve relevância nas eleições de Lula e de Dilma e hoje é um partido mais unido que na época de Ulisses Guimarães.

“Temos 1.035 prefeitos, 8.030 vereadores, os três cargos da linha de sucessão presidencial (a vice-presidência e as presidências do Senado e da Câmara) e apoiamos o governo nas questões sociais. Isso não é fisiologismo. É protagonismo. Temos direito e legitimidade para governar”, afirma.

AE
Dilma Rousseff e Michel Temer

Temer diz que o fato de a presidente Dilma Rousseff ter citado seu nome 18 vezes no discurso que fez durante a última convenção do partido é o maior indicativo de que a chapa de 2014 está consolidada. “É reflexo da unidade e da relevância do PMDB”, afirma o vice, que não vê a possibilidade de surgir novo fato que mude o quadro. Temer não acredita que Lula tenha intenção de voltar à presidência da República e nem vê riscos de crise na economia que possa abalar o prestígio e o favoritismo de Dilma para 2014.

“O pibinho voltará a ser PIB”, afirma o vice-presidente, que aposta num crescimento de 3% na economia em 2013 e na volta do Produto Interno Bruto a patamares consideráveis. “O Brasil terá o PIB que interessa ao povo”, prevê, lembrando que as questões mais importantes para o dia a dia e “vitais” ao corpo humano (“bolso, estômago e coração”) estão sob controle do governo. “Não haverá solavancos”, garante.

O vice- presidente acredita que as recentes pesquisas de opinião demonstram o favoritismo de Dilma para vencer a eleição no primeiro turno. Ele afirma que nesses 18 meses de governo a presidente agregou voto e prestígio ao capital político herdado de Lula e, atualmente, com 79% de aprovação, encontra-se na mesma posição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quando este, em 1997, se preparava para disputar as eleições do ano seguinte e venceu no primeiro turno.

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