TJ de SP afasta desembargador acusado de pedir propina

Por Agência Estado |

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Magistrado teria pedido R$ 35 mil a advogados para votar a favor de um recurso de um vereador de Bragança Paulista

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O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo decretou, na quarta-feira (3), em votação unânime, o afastamento cautelar do desembargador Arthur Del Guércio Filho, da 15.ª Câmara de Direito Público do TJ. Ele é acusado de pedir R$ 35 mil aos advogados Nagashi Furukawa, juiz de Direito aposentado, e Fabiane Furukawa para votar favoravelmente recurso de um vereador de Bragança Paulista (SP) autuado pelo Tribunal de Contas do Estado. É o primeiro caso de desembargador afastado, no Estado, por suspeita de corrupção.

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Aos 58 anos, desde 1983 na magistratura e juiz de carreira, Del Guércio chegou ao TJ em 2005, quando assumiu a cadeira de desembargador. Há seis anos tinha assento na 15.ª Câmara de Direito Público, que julga exclusivamente casos de corrupção e improbidade na administração pública. Sob sua relatoria ele mantinha acervo de 1.800 processos.

As suspeitas não param no caso do vereador. O desembargador Gilberto de Souza Moreira, da 7.ª Câmara de Direito Privado, relatou ter reunido informações de cinco grandes escritórios de advocacia. "Contavam que ele (Del Guércio) os procurava para simplesmente pedir dinheiro sob o pretexto de que estava em dificuldades financeiras, que não sabia o que fazer, que agradecia e acabava levando R$ 20 mil, R$ 30 mil. Chegavam notícias alarmantes de que ele comprometia a própria Câmara."

O advogado Clito Fornaciari Júnior contou que Del Guércio procurou um cliente dele a quem mostrou "o voto que ia dar no caso (um inventário)". O desembargador teria dito que outros magistrados queriam R$ 120 mil. "Tudo a sugerir um verdadeiro padrão de comportamento desbordante da mais comezinha postura expectável de um magistrado", assinala o presidente do TJ, desembargador Ivan Sartori.

Del Guércio recebeu a advogada Fabiane. "Ele começou a falar que passava por situação financeira complicada, que precisava de R$ 35 mil para saldar empréstimo que fez para reforma na residência dele." O desembargador nega que tenha solicitado propina dos advogados.

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