Magistrado do TJ de SP foi afastado do cargo após vários advogados prestarem depoimento alegando exigência de até R$ 35 mil por voto favorável

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou nesta quinta-feira à Polícia Federal investigação para apurar a "eventual prática de crime" envolvendo o desembargador Arthur Del Guércio Filho, da 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). 

Leia mais: TJ de SP afasta desembargador acusado de pedir propina

Ele é acusado de pedir R$ 35 mil aos advogados Nagashi Furukawa, juiz de Direito aposentado, e Fabiane Furukawa para votar favoravelmente recurso de um vereador de Bragança Paulista (SP) autuado pelo Tribunal de Contas do Estado. É o primeiro caso de desembargador afastado, no Estado, por suspeita de corrupção.

A solicitação foi feita ao Ministério da Justiça pelo presidente do TJ-SP, desembargador Ivan Sartori. Del Guércio foi afastado de suas funções pelo Órgão Especial do TJ-SP.

O desembargador está há 30 anos na magistratura paulista e nega as acusações. Vários advogados já prestaram depoimento ao TJ-SP e contaram como o desembargador supostamente agia. Segundo esses relatos, ele exigia até R$ 35 mil de suas vítimas. Não há registro de que tenham ocorrido os pagamentos por ele solicitados.

Leia mais: Novos tribunais contratarão 2,7 mil servidores

Exclusivo: Nova estrutura da Justiça Federal pode custar R$ 923 milhões

Aos 58 anos, desde 1983 na magistratura e juiz de carreira, Del Guércio chegou ao TJ em 2005, quando assumiu a cadeira de desembargador. Há seis anos tinha assento na 15.ª Câmara de Direito Público, que julga exclusivamente casos de corrupção e improbidade na administração pública. Sob sua relatoria ele mantinha acervo de 1.800 processos.

O desembargador poderá ser indiciado pelos crimes de concussão, corrupção passiva e prevaricação. Del Guércio disse que sempre recebeu advogados em seu gabinete, "sem restrição".

Com Agência Estado

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.