Alvo de abaixo-assinado, Blairo Maggi reage: 'Eu não sou Feliciano'

Por Nivaldo Souza , iG Brasília |

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Produtor de soja e novo presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, político é alvo de petições por renúncia; ele afirma que não merece manifestações como as do pastor

A chegada do senador Blairo Maggi (PR-MT) à presidência da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado tem mobilizado ambientalistas contrários à permanência do ex-governador do Mato Grosso no comando do grupo de trabalho. O senador, que é um dos herdeiros do maior grupo produtor de soja no País, o Amaggi, é alvo de quatro petições no site Avaaz pedindo sua renúncia. Os abaixo-assinados, todos divulgados em páginas e blogs ambientalistas, somam 16,5 mil assinaturas.

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O senador afirma ao iG que não se preocupa com as manifestações e não acredita que os protestos virtuais possam ganhar corpo e tornar as sessões da CMA agitadas como as presididas pelo deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) desde que chegou ao comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. “Eu não sou o Feliciano. E não mereço (manifestações exaltadas)”, afirma. “Eu não temo (sessões tumultuadas). Se alguns (manifestantes) vierem ou quiserem conversar, eu converso numa boa”, diz.

Alan Sampaio / iG Brasília
Blairo Maggi, que é um dos herdeiros do maior grupo produtor de soja no País, é alvo de quatro petições

Entre os argumentos dos sites e blogs ambientalistas que divulgam as petições contra Maggi, está o de que o senador pretende pautar os trabalhos da comissão por projetos favoráveis ao agronegócio. A principal das quatro petições do Avaaz acusa o senador de atender “demandas do agronegócio e do lobby ruralista”.

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O senador rebate as acusações. “Eu não posso ser radical nem por um lado nem pelo outro, mas buscar o consenso no caminho da preservação e do desenvolvimento ao mesmo tempo. Acho que isso é ser ambientalista e não é ser radical para um lado ou outro”, avalia.

Maggi assegura que na comissão “a área ambiental é maioria”, o que automaticamente impediria uma conversão ao agronegócio. Segundo o senador, “tem um calhamaço” de projetos na fila aguardando votação no plenário da comissão e ele pediu para a assessoria técnica classificar por tema para apresentar aos 16 integrantes da CMA. “Todas as matérias que entraram até agora, desde que cheguei, eu pautei. Vou tentar buscar os estoques (de projetos esperando apreciação) para colocar em apreciação. Acho que o pior é não decidir e a comissão é bem eclética, misturada”, diz.

Mudança de perfil

Vencedor do prêmio Motosserra de Ouro, em 2004, dado pelo Greenpeace, que o classificou como um dos principais desmatadores do País, Maggi afirma que tem bom relacionamento com organizações em prol do meio ambiente. “Como governador do Mato Grosso fiz a minha parte. Saí reconhecido pelas ONGs, com as quais tenho uma grande parceria – ainda hoje (ontem) tive visita deles no gabinete e temos participação deles na comissão”, conta.

A mudança no relacionamento ocorreu depois de 2007, quando o Rei da Soja se tornou governador (2003-2010) e adotou medidas pró-meio ambiente. Ele adotou políticas contra o desmatamento e de regularização ambiental, além de apoiar iniciativa internacional para vetar a exportação de carne produzida em área desmatada ilegalmente, diminuindo críticas de entidades ambientalistas – que mais tarde o criticariam durante a tramitação do Novo Código Florestal no Senado.

“Tenho um trabalho reconhecido, feito a quatro mãos com os setores produtivos. O Mato Grosso é um exemplo de como se produz e se preserva ao mesmo tempo: aumentamos a produtividade enormemente e não elevamos a área de desmatamento”, garante Maggi, em referência à queda nos números do desmatamento durante seu governo no Mato Grosso.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Estado liderou o desmatamento na Amazônia Legal no semestre entre 1º de agosto de 2012 e 28 de fevereiro de 2013, puxado pela região produtora de soja de Sinop.

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