Tucanos tentam segurar Serra no partido após definição por Aécio

Por Luciana Lima e Marcel Frota - iG Brasília | - Atualizada às

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Correligionários do ex-governador disseram que ele está chateado por não ter sido ouvido no processo decisório. No entanto, a definição de apoio foi tratada como prioridade pelo PSDB

Depois da reunião de segunda-feira que consolidou o nome do senador mineiro Aécio Neves como o próximo dirigente do PSDB, muitos tucanos já veem o ex-governador de São Paulo, José Serra, com o pé fora do partido. Nos bastidores há um consenso de que o partido teve que tomar uma decisão de apoiar Aécio e não esperar por uma postura do ex-governador.

Leia mais: Sem Serra e com Alckmin, Aécio é aclamado em evento do PSDB em SP

Nesta terça-feira (26), alguns tucanos chegaram a ligar para Serra, que se encontra em viagem aos Estados Unidos e não participou do encontro, para demovê-lo da ideia de deixar a legenda. Nesse esforço voltaram a oferecer a ele a presidência do Instituto Teotônio Vilela, órgão responsável por formular políticas do partido, como forma de garantir um espaço significativo para o ex-governador dentro do PSDB. Em termos eleitorais, os tucanos acham viável que Serra seja o candidato do partido a uma vaga no Senado.

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Aécio é aclamado em evento do PSDB em São Paulo ao lado de Alckmin (25/03)

Na reunião, a adesão do governador Geraldo Alckmin ao nome do mineiro para a presidência da legenda foi o grande indicativo de que Aécio conseguiu transpor a barreira imposta pelos paulistas. O governador abandonou a tese de que Aécio não precisava ser presidente do partido para lançar seu nome na disputa nacional em 2014.

Os principais aliados de Serra engrossaram o discurso em favor de Aécio. Nomes como Alberto Goldman, Walter Feldman, Vaz de Lima, Andrea Matarazzo e Floriano Pesaro participaram do encontro. Alckmin abriu o franco apoio ao mineiro em uma entrevista coletiva no início do encontro. Foi seguido pelo líder dos tucanos no Senado, Aloysio Nunes (SP), que disse ser fundamental para o PSDB ter Aécio assumindo a função de unir a legenda nacionalmente.

Até a convenção nacional do partido, marcada para o dia 19 de maio, pelo menos mais duas reuniões serão feitas em São Paulo para firmar o apoio ao mineiro.

Pessoas mais próximas ao ex-governador disseram que ele está chateado por não ter sido ouvido no processo decisório sobre a escolha do presidente do PSDB e sobre o rumo do partido nas eleições de 2014. Serra também não teria ficado satisfeito com a abordagem de Aécio no encontro que teve com o mineiro na semana passada.

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Para alguns serristas a antecipação do processo eleitoral colocou Serra em posição de xeque, na medida em que, informalmente, candidaturas como a da presidenta Dilma Rousseff e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos já se desenham no cenário político. Para tucanos, o tempo de maturação de Serra entrou em rota de colisão com o tempo do PSDB.

Os tucanos enxergaram que é mais importante agora construir a unidade interna que esperar por uma postura de Serra, já que se tornou urgente a busca de alianças para compor a coligação em 2014.

A fala de um membro da executiva nacional do PSDB dá pistas de como anda o clima. “O departamento de psicologia do PSDB está de férias, ainda não reabriu para ouvir as razões de Serra”, disse o tucano que pediu para não ser identificado.

Almoço

O presidente nacional do partido, Sérgio Guerra (PE), disse que não era mais possível uma manifestação do ex-governador esperar visto que as bancadas federais e os governadores do partido se manifestaram a favor de Aécio. “Essa foi a posição de mais de 30 deputados da bancada federal e de governadores. Não tem como não acatar uma posição dessas”, disse

Na semana passada Alckmin recebeu a bancada federal em um almoço no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, e saiu convencido de que Aécio é o único nome capaz de unir o partido.

Namoro

Enquanto Serra não demonstra sua decisão, o PPS assumiu a postura de esperar. No entanto já avisou que o partido está de portas abertas para recebê-lo. “Não dá para a gente querer um namoro se a pessoa ainda se encontra casada. Já houve conversas, mas, por enquanto, estão suspensas. A hipótese de ter Serra no PPS depende que ele se resolva dentro do PSDB”, disse o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).

Deputados tucanos têm sido procurados pelo PPS com a oferta de uma janela segura para trocar de partido sem sofrer os efeitos da Lei de Fidelidade Partidária. Para isso, o PPS se fundiria com o PMN e lançaria uma nova

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