PSC diz que Feliciano é 'ficha limpa' e fica na Comissão de Direitos Humanos

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Deputado e pastor tem sido alvo de protestos desde que assumiu o colegiado, acusado de homofobia e racismo; decisão do partido contraria o presidente da Câmara

A Executiva e a bancada do PSC na Câmara decidiram nesta terça-feira pela manutenção do pastor e deputado Marco Feliciano (SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos. Ele tem sido alvo de protestos desde que assumiu por declarações consideradas racistas e homofóbicas. "Informamos aos senhores e senhoras que o PSC não abre mão da indicação feita pelo partido", afirmou o pastor Everaldo Pereira, vice-presidente do PSC.

"Feliciano é um deputado ficha limpa, tendo então todas as prerrogativas de estar na Comissão de Direitos Humanos e Minorias", completou.

Votação em tempo real: Feliciano deve continuar na comissão?

Poder Online: Pastores aguardam em vão o “fico” de Feliciano na Câmara

Leia mais: Anistia Internacional diz que escolha de Feliciano é 'grave' e 'inaceitável'

Protestos: Feliciano preside por apenas 8 minutos sessão tumultuada

Poder Online: Bolsonaro solta língua e xinga manifestantes; assista

Pauta positiva: Sob pressão, Feliciano vai à Bolívia para acompanhar corintianos

Alan Sampaio/iG Basília
Alvo de protestos, Feliciano tem apoio do PSC e fica na Comissão de Direitos Humanos

Ele leu uma nota de três páginas na qual o partido relata o seu histórico de alianças com o PT, desde 1989 até a eleição da presidente Dilma Rousseff. "Mesmo diante das declarações de que ela não sabia se acreditava em Deus e que não era contra o aborto, o PSC apoiou a presidente Dilma, sem discriminá-la por pensar diferente de nós", disse. Ele ressaltou ainda que o partido fez protestos pacíficos contra a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. "Respeitamos a todos e gostaríamos que também nos respeitassem".

O partido afirmou que os protestos contra Feliciano são naturais, mas devem ser "respeitosos". Destacou o fato de o deputado pastor ter sido eleito por seus pares. "Democracia é voto. Democracia não é grito, nem ditadura", disse Everaldo. O PSC disse ainda que não fará ameaças, mas que pode convocar também militantes.

Leia mais:

Pastor Feliciano divulga vídeo com ataque a opositores

Mesmo sob pressão, Feliciano diz que fica na Comissão de Direitos Humanos

Feliciano entrou e saiu da reunião sem dar entrevistas. Na chegada, questionado se era o "dia do fico" respondeu apenas: "é só olhar para o meu rosto". Na saída, mesmo com o respaldo do partido, saiu escoltado por seguranças e por pastores que se manifestaram de forma favorável a ele. Uma faixa trazida pelos pastores dizia: "E se Jesus renunciasse? O que seria do mundo?"

A decisão do PSC pode criar um problema para o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Na semana passada, ele definiu como "insustentável" a situação de Feliciano e prometeu uma solução até esta terça-feira.

A polêmica contra Feliciano teve início com uma afirmação em sua conta no Twitter de que africanos são descendentes de amaldiçoados por Noé e, numa outra ocasião, disse que a Aids é o "câncer gay". As declarações alcançaram grande repercussão que incluíram manifestações no Congresso Nacional e em todo o País. "Pode ter havido declarações inconvenientes", reconheceu Pereira, afirmando que o deputado "não é racista nem homofóbico".

O vice-presidente da sigla disse ainda que a comissão se concentrará em matérias que "preservem os direitos da população" e que as decisões serão definidas por voto, como em qualquer outra comissão.

Em 12 de março, um grupo de parlamentares protocolou um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal pedindo a anulação da sessão em que Feliciano foi eleito para presidir a comissão. O mandado teve como argumento central que regras regimentais não foram respeitadas durante a votação, por ter sido em sessão secreta.

Veja os protestos contra Feliciano

Bolsonaro bate boca com ativista contra sua permanência na Comissão de Direitos Humanos na Câmara. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaBolsonaro bate boca com manifestantes contrários que ele assuma a presidência da Comissão de Direitos Humanos (11/02/2014). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJovens fazem beijaço contra Bolsonaro assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos (11/02/2014). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMarco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, é alvo de novos protestos nesta quarta-feira (27 de março). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAManifestantes gritam palavras de ordem contra Feliciano antes da reunião da comissão. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMais cedo, ativistas entregaram um abaixo-assinado online contra a presença de Feliciano na comissão. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMarco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, é alvo de novos protestos nesta quarta-feira (27 de março). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAAlvo de protestos, Feliciano troca plenário e faz reunião fechada. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAFeliciano mandou deter um dos manifestantes nesta quarta-feira (27). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMarco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, é alvo de novos protestos nesta quarta-feira (27). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMarco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, é alvo de novos protestos nesta quarta-feira (27). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMarco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, é alvo de novos protestos nesta quarta-feira (27). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMarco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, é alvo de novos protestos nesta quarta-feira (27). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMarco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, é alvo de novos protestos nesta quarta-feira (27). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMarco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, é alvo de novos protestos nesta quarta-feira (27 de março). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAManifestantes furam o bloqueio da segurança e protestam contra Feliciano em reunião da comissão. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaSob protestos, Feliciano não consegue presidir mais uma sessão da Comissão de Direitos Humanos. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaManifestantes protestam na Câmara contra permanência de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDeputados quase saem no tapa na primeira sessão de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Foto: Agência BrasilA Frente Parlamentar em Defesa da Dignidade Humana e Contra a Violação de Direitos discute a repercussão sobre Feliciano na Comissão de Direitos Humano no dia 12 de março. Foto: Antonio Cruz/ABrA Frente Parlamentar em Defesa da Dignidade Humana e Contra a Violação de Direitos discute a repercussão sobre a eleição de Feliciano para a Comissão de Direitos Humano. Foto: Antonio Cruz/ABrProtesto contra Pastor Feliciano na Comissão de Direitos Humanos na Câmara. Foto: Nico Nemer/Futura PressPastor Marcos Feliciano é eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos sob protestos. Foto: Agência CâmaraDeputados do PT e PSOL seguiram o ex-presidente da Comissão, Domingos Dutra (PT-MA), e abandonaram o colegiado. Foto: Alexandra Martins / Agência CâmaraSob protestos, Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, no dia 7 de março. Foto: Alexandra Martins / Agência CâmaraGrupos protestam contra indicação do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Diretos Humanos e Minorias da Câmara, no dia 6 de março. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABrGrupos protestam contra indicação do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Diretos Humanos e Minorias da Câmara, no dia 6 de março. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

 

Com Agência Estado e Reuters

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas