Silas Malafaia celebra casamento do deputado Bolsonaro na Mansão Rosa

Por Raphael Gomide iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Texto

Noivo e pastor são críticos ferozes do ativismo gay. Parlamentar se uniu no religioso a Michelle, 27 anos mais nova, e mostrou seu lado mais sensível na cerimônia, chorando e fazendo declarações de amor. Casal já vivia junto havia seis anos e tem filha de 2

Raphael Gomide
Bolsonaro se emociona no casamento com Michelle, 27 anos mais nova, celebrado por Silas Malafaia

O pastor evangélico Silas Malafaia casou o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) e sua noiva, Michelle, na noite desta quinta-feira (21), na casa de festas Mansão Rosa, no Alto da Boa Vista, no Rio. Bolsonaro e Malafaia são aliados na crítica veemente ao movimento gay, vistos como “homofóbicos”, e estão no centro da polêmica sobre Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, atuando em defesa do presidente, o pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP).

Raphael Gomide
Bolsonaro caminha em direção ao altar na Mansão Rosa, acompanhado da mãe

Não foi a luta do mesmo lado, porém, que uniu o religioso e o político no evento, para cerca de 150 pessoas. A noiva, Michelle, 32 anos, é membro da igreja de Malafaia e queria ser casada pelo pastor.

“Eu também sempre gostei dele, de suas pregações e dos valores que defende. Ele está do lado da verdade”, justificou o deputado.

Nesta quarta-feira, Bolsonaro entrou em discussão áspera, aos gritos, com manifestantes na comissão da Câmara e trocou ofensas com um grupo, usando palavrões e xingamentos.

Em vídeo, Malafaia diz que "princípio de Deus" é união de "macho e fêmea"

Bolsonaro também chora

Raphael Gomide
Bolsonaro enxuga as lágrimas, em um momento de emoção, no casamento

No casamento, porém, Bolsonaro deixou aflorar seu lado mais sensível, menos conhecido do grande público – acostumado a sua imagem de durão. O deputado chorou em diversos momentos da cerimônia e fez declarações de amor à mulher, Michelle. O casal já era casado civilmente havia seis anos tem uma filha de 2 anos, Laura. “Não vou dizer que te amo porque seria um pleonasmo, Michelle. Você é um pedaço de mim”, afirmou, romântico, Bolsonaro.

O filho Flávio, deputado estadual no Rio, contou que, em família, o pai – capitão do Exército, da reserva – amoleceu o coração principalmente após o nascimento da filha. “Depois que Laura nasceu, ele ficou mais emotivo: ele chora, às vezes. Aquilo [a imagem pública, belicosa] é um personagem. Lá em casa, ele nunca levantou a mão para a gente, era minha mãe quem brigava conosco, e a gente corria para baixo das pernas dele para se proteger: ele nos ‘deseducava’”, riu Flávio, 31, um dos cinco filhos do parlamentar.

A data do casamento não foi escolhida ao acaso: coincidiria com os aniversários de Bolsonaro, quinta, e de Michelle, sexta, embora com a diferença de 27 anos - ela fez 32, ele, 59.

Deputado temia manifestação na porta

Antes do início da cerimônia, Bolsonaro conversou animadamente com os padrinhos e com Malafaia. Os assuntos foram política, as brigas e discussões na Comissão de Direitos Humanos e Minorias e o sucesso de seus vídeos na internet. O deputado ponderou que, novato, o colega Feliciano por vezes se assusta com a reação a sua presença no órgão.

Raphael Gomide
Bolsonaro, ao lado da mulher, Michelle, e do celebrante, Silas Malafaia

Malafaia criticou a imprensa por não cobrar a presença do condenado do Mensalão José Genoino na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Depois, ambos criticaram o movimento gay, citaram personalidades simpatizantes da causa, por supostamente serem homossexuais, e lembraram entrevistas suas a programas de TV sobre o tema.

Por conta do momento turbulento, Bolsonaro temia manifestações na porta da casa de festas, no Alto da Boa Vista. Pediu o apoio da PM para prevenir eventual tumulto, e havia uma viatura policial no local. “Fiquei preocupado, não por mim, mas pela Michelle e pelos convidados”, disse. Ele se lembrou, rindo, do casamento do deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) com a filha do ministro Moreira Franco (Aviação Civil), quando um grupo protestou à porta da igreja com a faixa: “Por favor, não procriem!”

“Achei que fosse ter um pega-pra-capar na porta. Essas coisas [o casamento] não podem vazar”, comentou, depois, uma amiga da família, à mesa de jantar.

Pastor chama união de pessoas do mesmo sexo de “blábláblá”

A emoção do deputado começou no momento anterior à sua entrada para o altar. Ao lado da mãe, Olinda, seus olhos se encheram de lágrimas. Antes, alertara, em tom de brincadeira: “Não vá chorar, mãe!” Durante a celebração, voltou a chorar, em especial, no momento da troca de alianças.

Malafaia centrou a cerimônia na família e fez questão de frisar sua oposição à união de pessoas do mesmo sexo.

Raphael Gomide
Bolsonaro, com a mãe, Olinda, a caminho do altar

“O primeiro princípio é que Deus fez macho e fêmea. (...) Toda a História da civilização humana está sustentada no homem, na mulher e em sua prole. Deus só criou duas instituições na Terra: família e igreja. Família é homem, mulher e sua prole. Para a perpetuação da espécie, completude desse ser (...), o homem só se completa na mulher e a mulher só se completa no homem. O resto é blábláblá. Nada mais e nada menos”, disse o pastor.

Ele também pediu mais "tolerância" - entre marido e mulher.

O casal trocou alianças ao som de uma orquestra tocando “Jesus, Alegria dos Homens”, de Bach. Neste momento, Bolsonaro se revelou ainda tímido. Constrangeu-se ante o pedido de Malafaia para beijar a noiva, diante dos cerca de 150 convidados. Por fim, o casal se beijou.

Veja o vídeo de Bolsonaro envergonhado na hora do beijo:

Leia tudo sobre: BolsonaroMalafaiagaycasamento
Texto

notícias relacionadas