Para Comissão da Verdade, bomba na OAB do Rio é 'intimidação'

Por Vasconcelo Quadros , iG São Paulo |

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Coordenadora provisória da CNV chamou o episódio de 'ato de terror tardio' contra as investigações para desvendar os crimes praticados por agentes da ditadura militar

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) interpretou como ameaça e intimidação a explosão de uma bomba caseira na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio, e pediu aos órgãos de segurança do governo que investiguem a fundo o suposto atentado. Em nota, a coordenadora provisória da CNV, Rosa Maria Cardoso da Cunha sugere que a ação - assumida por um suposto militar aposentado - tem como alvo as investigações que buscam desvendar os crimes praticados por agentes do regime militar durante os anos de chumbo.

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Uma bomba explodiu na quinta-feira na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio


“As autoridades competentes estão sendo mobilizadas para adotar as providências cabíveis. A CNV espera que se apure a autoria e se puna os que pretendem negar ao Brasil o caminho da democracia e das liberdades”, diz a nota assinada pela coordenadora.

A CNV vem sendo bombardeada, desde sua instalação, por militares da reserva vinculados aos clubes militares sob o argumento de que as investigações são parciais por ignorarem os supostos crimes praticados no período pela esquerda armada.

A reação ocorre no momento em que as comissões nacional e estaduais organizam a lista de agentes que trabalharam para o regime militar e devem ser convocados a depor.

O alvo foi escolhido criteriosamente pelo autor ou autores do atentado. A sede da OAB do Rio foi uma das primeiras trincheiras da luta pela redemocratização e passou pelo trauma do atentado que matou, em 1980, a secretária da Ordem, Lyda Monteiro, vítima de uma carta bomba.

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Além disso, na próxima segunda-feira, deve ser empossado o novo presidente da Comissão da Verdade Rio, Wadih Damous, um dos maiores defensores da punição de militares e policiais que participaram de tortura, execuções sumárias e ocultação de corpos de militantes de esquerda.

A reação da direita pode estar relacionada também ao perfil do presidente da OAB do Rio, Felipe Santa Cruz. O advogado é filho de um desaparecido político, Fernando Santa Cruz de Oliveira, preso em 23 de fevereiro de 1974 no Rio de Janeiro. Era militante da Ação Popular Marxista-Leninista (APML).

“Trata-se de um tardio ato de terror dos que não querem viver num país democrático. Criando um clima de confronto e desatino ‘eles’ afetam adversários e a si próprios”, diz Rosa Cardoso.

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