Indicação de pastor para Direitos Humanos divide PSC após tumulto

Por Nivaldo Souza , iG Brasília | - Atualizada às

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Parte dos 17 membros do partido é favorável à substituição de Feliciano pela deputada Ana Lúcia (AC), apontada como moderada, mas direção da legenda manterá pastor

O Partido Social Cristão (PSC) está dividido quanto à manutenção do nome do pastor evangélico Marco Feliciano (SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). Parte dos 17 membros do partido na Câmara é favorável à substituição de Feliciano, conforme apurou o iG depois do tumulto que suspendeu a sessão desta quarta-feira.

Assista: Indicação de pastor provoca tumulto da Comissão de Direitos Humanos

TV iG: Feliciano é homofóbico e já fez declarações racistas, diz Jean Wyllys

Embora haja uma preferêcia de parte do partido pela deputada Ana Lúcia (PSC-AC), apontada por opositores do pastor como moderada, Feliciano se mantém como candidato devido a apoio de outros pastores que compõem o campo majoritário da legenda. Ana está listada pelo partido como vice-presidente.

Veja a confusão na reunião da Comissão de Direitos Humanos


O nome do pastor enfrentou forte resistência na Comissão de Direitos Humanos em função de declarações com teor homofônico e racista pelo deputado em seu Twitter. A reunião foi marcada por bate-bocas, gritaria, vaias e protestos. "A candidatura dele fere o regimento. O deputado afirmou que a Aids é um câncer e que os africanos (negros) são amaldiçoados", protestou Erika Kokay (PT-DF).

Leia mais: Sob vaias, Comissão de Direitos Humanos suspende sessão que elegeria pastor

"Dentro do PSC, há membros com cabeça diferente (a favor dos direitos civis)", segundo Ivan Valente (PSOL-SP). Segundo o deputado socialista, a CDHM foi abandonada no processo de composição da chapa que elegeu Henrique Eduardo Alves para a presidência da Câmara, devido à perda de importância nos últimos anos. O esvaziamento por parte de partidos grandes como PT, PMDB e PSDB teria permitido ao PSC controlar, por meio de um acordo de líderes, cinco cadeiras das 18 titulares - além de três suplentes. "Esse esvaziamento aconteceu porque existem comissões mais apetitosas, por onde passam recursos", diz Valente.

Nação cristã

A tensão entre evangélicos e manifestantes acirrou os ânimos na comissão hoje. De um lado, manifestantes gritavam que "racismo é crime" e que o "Estado é laico". Em resposta, um integrante da bancada evangélica afirmou que "o Estado laico está circunscrito dentro de uma nação cristã".

Feliciano chegou ao plenário da comissão protegido por colegas de partido e, ao entrar na sala onde era chamado de "medieval" por manifestantes, disse que a manifestação era "democrática " e que "fazia parte" da eleição.

Esvaziamento por partidos

Após o protesto de manifestantes contrários à eleição de Feliciano, o atual presidente da comissão, deputado Domingos Dutra (PT-MA) ignorou o acordo feito entre os líderes partidários que cedeu o comando do colegiado ao PSC. "Vou devolver para a Mesa Diretora da Câmara o abacaxi que os líderes criaram", afirmou.

O encerramento da sessão foi considerado uma afronta ao regimento interno pelo líder do PSC na Câmara, Anderson Moura. "Ele (Dutra) sabe que não pode encerrar a sessão", declarou antes de se dirigir, com os 17 integrantes da bancada, para a sala do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB).

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