Centrais sindicais usam eleição para pressionar Dilma

Por Wilson Lima , iG Brasília |

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Se presidente não reabrir as portas, as entidades ameaçam articulação com outros partidos, como o PSB de Eduardo Campos e até com o PSDB de Aécio Neves

As seis centrais sindicais organizadoras da 7ª Marcha a Brasília aproveitaram o início das conversas visando as eleições de 2014 para pressionar o Palácio do Planalto a reabrir as portas para sindicatos e associações de classe. A manifestação desta quarta-feira reuniu aproximadamente 50 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, segundo dados da Polícia Militar do Distrito Federal.

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Desde o início do governo Dilma Rousseff, (PT), os sindicalistas reclamam que houve um distanciamento entre governo e os trabalhadores. Nesse aspecto, alguns deles afirmam que a relação hoje é semelhante aos tempos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O PT, ciente do problema, começou a abrir as portas para as centrais sindicais desde o início deste ano de olho já na sucessão presidencial, ano que vem.

Alan Sampaio / iG Brasília
Centrais sindicais reúnem cerca de 50 mil em marcha em Brasília para pressionar Dilma

Segundo os organizadores da 7ª Marcha, esse foi o maior evento dos últimos anos. A comitiva de sindicalistas reuniu aproximadamente mil ônibus que vieram dos Estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, entre outros. Deste universo de trabalhadores, a maior parte, aproximadamente 60%, segundo os organizadores, foram arregimentados pela Força Sindical, cujo presidente é o deputado federal Paulinho da Força (PDT).

Hoje, existe uma aproximação entre o PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos e o presidente da Força Sindical. Paulinho da Força é um dos homens que hoje articula apoio de outras entidades sindicais visando a uma candidatura de Campos. A Marcha desta quarta-feira, por exemplo, contou com o apoio logístico do PSB.

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A CUT, tradicional ninho do PT e do PSOL, vem sendo aliciado pela legenda de Campos. Líderes de outras entidades, como a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), por exemplo, admitem apoiar qualquer partido no ano que vem que “contemple as causas trabalhadoras” caso o Planalto ainda mantenha uma postura fechada com relação aos trabalhadores. Nem que esse partido seja o PSDB. “Ora, se o tucanato nos der abrigo, qual o problema?”, disse um dos líderes da manifestação desta quarta-feira.

“Essa manifestação foi montada no início do ano, mesmo em um ano pré-eleitoral, porque queremos afinar o discurso com o governo. Ainda dá tempo de costurarmos uma boa parceria para o ano que vem. Mas se não for possível, não vejo problema em nos aliar com o PSB ou até o PSDB”, admitiu um outro líder sindical.

Protestos

A manifestação desta quarta-feira foi apenas a primeira de uma série que as entidades sindicais devem realizar até o final do ano. Na caminhada, os organizadores estenderam faixas com críticas ao governo como “Sua Santidade Dilma, receba os trabalhadores. Pelo amor de Deus!”. Isso em meio a churrascos na Esplanada dos Ministérios, bebida alcoólica e poucos gritos de guerra. Houve também “um minuto de aplausos”, em homenagem ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morto ontem.

Além de mais espaço no governo, os trabalhadores reivindicam 12 itens, entre os quais, o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 horas e a política de valorização dos aposentados, o respeito à convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que estabelece o princípio da negociação coletiva entre Poder Executivo (federal, estadual ou municipal) e agentes públicos e a MP dos Portos.

Essas bandeiras não são novas. Algumas tramitam há aproximadamente 20 anos mas nesse ano, os sindicalistas prometem radicalizar o discurso contra o governo federal. “Existe uma insatisfação clara com o governo federal. Infelizmente, com o governo Dilma tem sido assim. Quando você não concorda com o executivo, você é jogado para escanteio. Aconteceu isso com o PP, com o PR e com o PSB”, afirmou o presidente da Força Sindical, Paulinho da Força.

“Quanto tempo levou para conseguirmos o 13º salário? O seguro desemprego e a redução da jornada de trabalho de 48h para 44h semanais? Nosso objetivo é continuar lutando. Até conseguirmos”, disse o secretário geral da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Moacyr Tesch Auresvald.

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