Para 2014, Eduardo Campos mira na base de Aécio Neves

Por iG Brasília - Luciana Lima e Marcel Frota |

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PSB rejeita discurso oposicionista, mas tenta garantir tempo de TV atraindo partidos como PPS, DEM e PV; relação do governador de Pernambuco com Lula e Dilma já tem desgaste

Embora os defensores da candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), à Presidência da República rejeitem o papel de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o leque de partidos cogitados para compor uma futura coligação é formado por siglas aliadas de primeira hora dos tucanos. Eduardo Campos tem feito incursões junto ao DEM, ao PPS e ao PV, base também do mineiro Aécio Neves, que ensaia sua candidatura ao Planalto.

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Divulgação/Governo de Pernambuco
Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB

Uma vez confirmada, a candidatura de Eduardo Campos será colocada como uma “evolução” do que foram os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma. Nesse tom, Campos poderia defender que ajudou e que fez parte dos avanços sociais do governo do PT, do qual o PSB participou desde 2003 no comando de pastas como a Ciência e Tecnologia, Portos e Integração Nacional.

A estratégia do discurso implica deixar para Aécio o papel de opositor do governo e vender a ideia de “próximo estágio da era petista”. É consenso entre os socialistas que o discurso oposicionista não levaria a candidatura ao sucesso. Não funcionou contra Lula e não tem funcionado contra Dilma, que goza de excelente aprovação pessoal e de seu governo.

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Apesar do otimismo dos socialistas em relação a um apoio do DEM, o ex-presidente nacional da legenda deputado Rodrigo Maia (RJ) afirmou que o caminho natural é estar com Aécio. “Isso precisa ser uma construção interna, mas o candidato natural é esse (Aécio)”, resumiu Maia.

Já o líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), não descarta a possibilidade de apoio a Eduardo Campos. Ele lembrou que, em janeiro, o partido tomou a decisão de liberar os Estados para estabelecerem as alianças de acordo com a realidade política local. “Fizemos isso para sobreviver ao que chamamos de assalto, que foi a formação do PSD, que levou grande parte de nossa bancada”, ponderou Caiado.

Discurso palatável

Agência Brasil
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Além disso, Caiado defende que o candidato a ser apoiado pelo partido, ou por parte dele, deverá ser o que conseguir construir um discurso mais “palatável”. “Nacionalmente, vamos aguardar. É claro que existem no DEM muitos simpatizantes do Aécio e muitos do Eduardo Campos. Em política, as coisas estão mudando rapidamente. Há um ano, a Dilma era imbatível, hoje a considero competitiva”, disse o democrata.

Nesse contexto, a defesa de Caiado soa como uma crítica ao discurso de Aécio Neves, que, ao elencar os “13 fracassos do PT” em discurso no Senado, falou sobre sucateamento da Petrobras, baixo crescimento econômico, falta de investimento em infraestrutura e outros problemas.

“Isso para o eleitor não quer dizer nada. Nós só seremos vitoriosos se dermos conta de produzir um discurso que chegue ao eleitor, que ele entenda. Isso significa dizer que ele não pode ficar anestesiado com essa tese de que agora ele pode comprar um carro, no entanto, não tem dinheiro para pagar o IPVA, que ele não tem dinheiro para pagar a prestação da casa. Que o que esse governo produziu foi uma euforia de filho rico. Não adianta falar economês”, criticou Caiado.

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O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), diz que não há um caminho natural do partido para 2014. “Não temos caminho natural com ninguém. Pode ser com o Aécio, com a Marina (Silva), com o Eduardo (Campos) ou com o (José) Serra. É muito cedo para o partido ter uma definição”, afirmou Freire, que acrescentou ver com simpatia a possibilidade de uma aliança com os socialistas em torno de Campos. “O conheço há muito tempo, é um homem de uma esquerda democrática”, disse ele, afirmando não descartar uma candidatura própria.

Incursões na Base

Outra legenda no rol de opções do socialista é o PDT, partido da base de Dilma, mas que enfrenta uma divisão interna capaz de levar muitos de seus integrantes para a candidatura alternativa. O deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força Sindical, estará com Campos na próxima segunda-feira como representante da central. Oficialmente, o encontro é para tratar da Medida Provisória dos Portos. Paulinho tem sido crítico aberto da presidente e chegou a declarar que ninguém mais aguenta Dilma.

O PTB, outro partido da base, também está na mira do PSB. Os socialistas já estiveram em contato com o deputado estadual e presidente do PTB de São Paulo, Campos Machado. O PTB é a segunda força política de Pernambuco em termos de prefeituras conquistadas em 2012. Os trabalhistas têm 25 prefeituras, atrás apenas do PSB, que tem 59 das 184 administrações municipais pernambucanas.

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Nessa equação, os socialistas contam que terão cerca de seis minutos de tempo de TV, caso consigam costurar a aliança entre PSB, DEM, PTB, PDT, PPS e PV. A base aliada da presidente Dilma Rousseff, incluindo o PSB, PTB e PDT, tem hoje praticamente a metade do tempo do horário eleitoral gratuito, cerca de 12 minutos.

Ameaça

Lula é visto pelos socialistas como a ameaça real. O partido enxerga na estratégia do ex-presidente uma tentativa de isolar o PSB, tática que consideram perigosa para a empreitada de Campos em 2014. Interlocutores de Eduardo Campos também dizem que ele ficou chateado com Lula, com quem mantinha relação de amizade, devido aos boatos de que alas do PT defendiam seu nome como vice na chapa de Dilma, ao mesmo tempo em que o partido selava a aliança prioritária com o PMDB.

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Cid Gomes, governador de Fortaleza, ao lado de Lula no seminário 'O decênio que mudou o Brasil'

As incursões de Lula pelo Ceará, ao lado dos irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes, adversários de Campos dentro do PSB, também foram lidas como uma provocação. “Cumprimento o maior e melhor presidente de toda a história do Brasil: Lula", disse Cid na sexta-feira (28), em Fortaleza, ao participar do seminário “Políticas de bem-estar, direitos humanos e o desafio da inclusão social”, que faz parte da comemoração dos 10 anos do PT no governo e da pavimentação da candidatura de Dilma em 2014.

Além de Cid, estiveram ao lado de Lula no encontro o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, a ministra de Desenvolvimento Social, Tereza Campello, e Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, que perdeu as eleições à Prefeitura de Campinas para o PSB, campanha que contou com a presença de Campos e de Aécio.

Desgaste

Com Dilma, a relação de Campos, que era uma das melhores no início do governo, tem dado sinais de desgaste. Ele tem reclamado internamente de desprestígio por parte da presidente. O desconforto ganhou força com o cancelamento da visita que Dilma faria à Pernambuco no último dia 18 de fevereiro.

A viagem foi cancelada de última hora sob a alegação de que Dilma havia machucado o pé em seus dias de folga no Carnaval. Em Pernambuco, Campos demonstrou insatisfação.

Já o Planalto informou que não há previsão para uma nova data para visita a Pernambuco. Dilma, no entanto, inicia a próxima semana em visita a Paraíba, onde vai entregar unidades do programa Minha Casa Minha Vida, em João Pessoa, e visitará obras do Canal Adutor Vertente Litorânea, em Campina Grande.

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