PTB negocia governo de Pernambuco em troca de apoio a Campos em 2014

Por Nivaldo Souza , iG Brasília | - Atualizada às

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Governador do Estado terá de escolher entre ter um candidato próprio à sua sucessão ou ceder a aliados para obter o apoio necessário à disputa pelo Palácio do Planalto

A eventual candidatura de Eduardo Campos (PSB-PE) à Presidência da República começa a mobilizar os aliados do governador de Pernambuco em seu Estado. O diretório estadual do PTB espera que Campos lance o senador Armando Monteiro (PTB-PE) como seu candidato ao governo de Pernambuco no lugar de um nome do PSB.

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Os petebistas prometem, em troca, obter da Executiva Nacional do partido a adesão à coligação presidenciável pró-Campos em 2014 e ceder palanque nas 295 prefeituras petebistas.

Divulgação
O senador Armando Monteiro (PTB-PE)

Membros do PTB de Pernambuco já falam em romper com Campos caso Monteiro não seja o candidato ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual em Recife. “Eduardo precisa dar alguma coisa (pelo apoio nacional)”, diz ao iG um petebista.

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A pretensão petebista, contudo, promete embolar a disputa interna do PSB pela sucessão de Campos, cujo apoio alimenta a confiança de que seu candidato vença no primeiro turno. O presidente da legenda em Pernambuco, Sileno Guedes, articula nos bastidores pela própria indicação.

Guedes se fia na amizade com Campos, nascida nos tempos do curso de economia na Faculdade Federal de Pernambuco, e amadurecida na Assembleia estadual nos anos 1990, quando foi assessor do então deputado Eduardo Campos.

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Ele foi coordenador das campanhas de Campos em 2006 e 2010, e ocupou duas secretarias estaduais. Agora é secretário municipal de Governo e Participação Popular de Recife.

O ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) é outro nome que surge nos bastidores. Ele tem dito a pessoas próximas que confia na indicação, mas os comentários estariam irritando Campos, que não vê Bezerra muito alinhado ao seu modelo de gestão.

Candidato de infância

Apesar das articulações de políticos experientes como Guedes e Bezerra por seu apoio, Campos estaria interessado em lançar uma cria política sua – a exemplo do que fez com o atual prefeito de Recife, Geraldo Júlio.

Aliados e opositores do governador já dão como certa a escolha de Tadeu Alencar, secretário estadual da Casa Civil. Assim como Júlio, Alencar não é político de carreira.

O advogado de 50 anos foi procurador-geral da Fazenda Nacional e, hoje, é o principal interlocutor político de Campos em Pernambuco. A afinidade entre eles já rende certo inconveniente a Tadeu Alencar nos corredores do Palácio do Campo das Princesas, onde alguns funcionários o chamam de “senhor governador” quando Campos se ausenta.

Amigo de infância de Glauco - apelido do governador entre amigos e familiares -, Alencar chamou a atenção em outubro passado ao falar de sua amizade de infância com o governador no artigo “Elogio à inocência”, publicado pelo Jornal do Comércio.

“Você era o menino bonito da turma. Pele clara, olhos fugazmente esverdeados, traços afilados, inteligente, fleumático, conhecido”, escreveu o secretário. “Você foi o único que enxergou a minha mais entranhada vocação”, registrou.

Campos prometeu a aliados que anunciará em janeiro de 2014 se sairá candidato a Presidência. Pessoas próximas ao governador interpretam que ele terá de escolher entre o amigo e os aliados, caso queira concorrer ao Planalto com alguma base além do PSB.

O preço já foi dado por um apoiador pernambucano, segundo o qual os aliados podem abandonar Campos se ele optar por “iluminar um novo poste”. O termo é usado em referência a Geraldo Júlio, ex-secretário estadual que na chegou à Prefeitura do Recife, apoiado em Campos.

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