Fotógrafo argentino, que também teve um irmão sequestrado por agentes da ditadura, retratou em imagens o vazio deixado nas famílias após o sumiço de seus entes queridos

BBC

A vida do fotógrafo argentino Gustavo Germano e de seus familiares mudou completamente quando seu irmão Eduardo foi sequestrado em 1976 por agentes do regime militar da Argentina. Eduardo, então com 18 anos, nunca mais foi encontrado e passou a constar da relação das milhares de pessoas sem registro de óbito oficial, conhecidos como "os desaparecidos" da ditadura argentina.

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Germano fez de sua tragédia familiar tema de sua arte e retratou não apenas o seu drama pessoal, mas também o de famílias com passado semelhante na Argentina e no Brasil.

A mostra Ausências Brasil integra o projeto Ausencias, de Germano, que contrasta fotos de família com imagens registradas anos depois pelo fotógrafo. Nas imagens registradas recentemente, Germano convenceu os familiares dos desaparecidos e mortos nos regimes militares do Brasil e da Argentina a reporoduzir com exímia fidelidade a pose das imagens originais, nos mesmos locais onde elas haviam sido tiradas.

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No entanto, há uma diferença fundamental: a foto dá destaque à ausência do familiar desaparecido, ressaltando assim o vazio que ele deixou na vida de suas famílias e os crimes brutais cometidos nas ditaduras dos dois países.

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