Mostra em São Paulo registra 'ausências' de famílias de desaparecidos políticos

Por BBC |

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Fotógrafo argentino, que também teve um irmão sequestrado por agentes da ditadura, retratou em imagens o vazio deixado nas famílias após o sumiço de seus entes queridos

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A vida do fotógrafo argentino Gustavo Germano e de seus familiares mudou completamente quando seu irmão Eduardo foi sequestrado em 1976 por agentes do regime militar da Argentina. Eduardo, então com 18 anos, nunca mais foi encontrado e passou a constar da relação das milhares de pessoas sem registro de óbito oficial, conhecidos como "os desaparecidos" da ditadura argentina.

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Germano fez de sua tragédia familiar tema de sua arte e retratou não apenas o seu drama pessoal, mas também o de famílias com passado semelhante na Argentina e no Brasil.

Em 1969, Gustavo Germano (à esq.) e seus três irmãos posaram para este retrato de família na Argentina.. Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoO irmão mais velho de Germano, Eduardo, então com 18 anos, foi sequestrado em 1976 e se tornou um dos desaparecidos. . Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoAna Rosa Kucinski e seu marido, Wilson Silva, eram ativistas políticos que lutaram contra o regime militar que esteve no poder no Brasil entre 1964 e 1985. Os dois tinham 32 anos. Seus corpos nunca foram encontrados. . Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoUm ex-policial contou que Ana foi assassinada em um centro de torturas em Petrópolis (RJ). Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoO advogado Luiz Almeida Araújo, retratado aqui com sua irmã e mãe, foi preso e torturado pela 1ª vez em 1966. Em seguida, ele foi libertado. . Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoCinco anos depois, em 1971, Luiz Almeida Araújo voltou a ser sequestrado em São Paulo. Registros oficiais indicam que ele foi morto.Tinha 28 anos na época.. Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoLuiz Eurico Tejero Lisboa também pertencia à ALN. Ele se casou com Suzana Krieger Lisboa em 1960 e trabalhava como funcionário do Senai. . Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoEle foi preso em circunstâncias pouca claras em São Paulo, em 1972, e desapareceu. Em 1979, seus restos mortais foram encontrados . Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoJoão Carlos Haas Sobrinho (seg. à esquerda) é retratado nesta foto de família sorrindo, ao lado de seus amigos de infância no Brasil, em 1947.. Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoSobrinho entrou para a clandestinidade e foi para a região do Araguaia. Desapareceu em 1972. . Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoOmar Dario Amestoy, ao lado de seu irmão Alfredo, em 1975, estudou direito e conciliou os estudos com ativismo nas favelas de Entre Ríos, Argentina.. Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoOmar foi morto juntamente com sua mulher e seus dois filhos, de 5 anos e de 3 anos. Em dezembro de 2012, três foram condenados à prisão perpétua.. Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoNesta foto de família, Clara Alkterman olha com orgulho para seu filho Claudio Marcelo Fink, um argentino que estudava engenharia na (UTFPR).. Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoClaudio Marcelo era politicamente ativo e em agosto de 1976 ele foi sequestrado por um grupo paramilitar. Germano retornou ao mesmo local da foto original 32 anos depois. . Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoOrlando Mendez, do grupo guerrilheiro Montoneros foi sequestrado em 1976, com sua filha de 11 meses, Laura. . Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo GermanoA criança foi devolvida à sua família, mas a dor dos familiares continuou. Quando Laura completou 3 anos, sua mãe, Letícia Margarita Oliva, foi sequestrada e nunca mais foi vista. Foto: BBC/Arquivo pessoal/Gustavo Germano

A mostra Ausências Brasil integra o projeto Ausencias, de Germano, que contrasta fotos de família com imagens registradas anos depois pelo fotógrafo. Nas imagens registradas recentemente, Germano convenceu os familiares dos desaparecidos e mortos nos regimes militares do Brasil e da Argentina a reporoduzir com exímia fidelidade a pose das imagens originais, nos mesmos locais onde elas haviam sido tiradas.

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No entanto, há uma diferença fundamental: a foto dá destaque à ausência do familiar desaparecido, ressaltando assim o vazio que ele deixou na vida de suas famílias e os crimes brutais cometidos nas ditaduras dos dois países.

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