Corregedoria da Câmara de São Paulo decide não investigar Aurélio Miguel

Por Natália Peixoto , iG São Paulo | - Atualizada às

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Vereador é acusado de se beneficiar de um esquema de propinas na capital paulista, mas ganhou apoio dos colegas para suspender a apuração na Casa

A Corregedoria da Câmara de São Paulo decidiu nesta quinta-feira que não vai investigar o vereador Aurélio Miguel (PR), acusado de se beneficiar de um esquema de propinas para liberar alvarás a shoppings na capital paulista. Miguel é alvo de inquérito do Ministério Público, mas nega envolvimento nas denúncias de corrupção.

São Paulo: Em dez anos, Corregedoria da Câmara nunca puniu um único vereador

Defesa: ‘Não tenho nada a temer’, diz vereador Aurélio Miguel sobre acusação de propina

Divulgação/Câmara de SP
Corregedoria decide suspender investigação contra Aurélio Miguel, alvo do Ministério Público

O relator do caso, o vereador Milton Leite (DEM), apresentou voto para suspender o processo de investigação na Casa até que haja uma decisão da Justiça sobre o caso. Leite foi indicado para compor a Corregedoria pelo bloco do partido de Miguel e teve o apoio dos vereadores Ricardo Trípoli (PV), Alfredinho (PT), Paulo Frange (PTB) e Mário Covas Neto (PSDB).

Apenas Police Neto (PSD) discordou do relator. Para ele, como a denúncia pedia a cassação de Aurélio Miguel, o caso deveria ser analisado no plenário da Casa. Após uma pausa para consultar a assessoria jurídica, o corregedor Rubens Calvo (PMDB) rejeitou o pedido de Police Neto. "O rito está dentro da legalidade e do regimento", disse Calvo.

A reunião foi marcada por divergências entre Police Neto de um lado e Milton Leite e Rubens Calvo do outro. Em dez anos de existência, a Corregedoria da Casa nunca puniu um único vereador e arquivou todas as denúncias de investigação.

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Durante a reunião, Leite também criticou a denúncia apresentada pelo vereador Toninho Véspoli (PSOL), estreante na Casa. Para o relator, a denúncia é frágil, baseada em cópias de notícias de jornal, o que não permitiria avançar nas investigações e tirar novas conclusões do caso. "Não tenho problema nenhum em cassar vereador, mas precisa ter provas sobre isso, não só recorte de jornal", disse Leite.

Calvo engrossou o coro de críticas à peça de Véspoli. "A denúncia é frágil, não traz nenhum fato novo”, disse. O vereador do PSOL se defendeu dizendo que houve falta de vontade política e que a suspensão da investigação é um “equívoco”. Para ele, Police Neto está certo ao defender que o caso seja analisado no plenário da Câmara. “Vamos buscar as medidas legais e os recursos a serem tomados", afirmou Véspoli.

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