Haddad cobra ficha limpa para empresa de inspeção veicular

Por Tales Faria e Ricardo Galhardo , iG São Paulo |

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Em entrevista exclusiva ao iG, o prefeito de São Paulo se mostra disposto a brigar com a Controlar, concessionária que realiza inspeção veicular na cidade. Ele promete investimento e medidas duras para solucionar o problema do trânsito na capital paulista

Em entrevista exclusiva ao iG concedida na manhã de segunda-feira o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), se mostrou disposto a comprar uma briga com a Controlar, concessionária que realiza inspeção veicular ambiental na cidade. Haddad lembrou que a empresa tem condenação em segunda instância por improbidade administrativa e comparou a Controlar com os políticos ficha suja, que são impedidos de exercer cargo público. “Pode-se pedir a saída de um político com problemas. E por que não de um empresário?”

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O prefeito disse não acreditar em milagres, mas considera possível resolver a situação caótica do trânsito em São Paulo. A solução, no entanto, só viria depois de um período de forte investimento em transporte público que viabilizaria medidas de restrição aos automóveis. Haddad dá a entender que virão medidas duras, então.

“Milagre é uma coisa, colocar no trilho é outra. Depois de um ambicioso plano de investimento pode-se atuar, aí sim, numa política inteligente de restrição do veículo individual. Isso vai recuperar a capacidade de oxigenação da cidade”, disse Haddad.

De acordo com o prefeito, o plano não é possível com o atual sistema de transporte público. “Não adianta pensar em tirar as pessoas do carro e levar para o metrô e para o ônibus hoje, da maneira como a coisa está organizada”, afirmou.

O Bilhete Único Mensal, uma de suas principais promessas de campanha, só deve entrar em funcionamento no final do ano. Já o fim da cobrança da taxa de inspeção veicular é objeto de um projeto de lei enviado à Câmara Municipal. 

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Depois de reclamar da falta de manutenção nos semáforos e da matrícula de alunos em escolas inacabadas, Haddad voltou a atacar a herança da gestão Gilberto Kassab (PSD). “Não existem obras em São Paulo”, disse Haddad.

Segundo ele, as dificuldades econômicas impedem que a prefeitura toque diversos grandes projetos deixados pela gestão anterior.

Para melhorar as finanças do município, o prefeito aposta principalmente na renegociação da dívida com o governo federal, objeto de um acordo entre o então prefeito Celso Pitta e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1999. Com a renegociação, Haddad não vê impedimento para que a cidade volte a contrair novas dívidas no mercado.

Ele descartou enfaticamente que esteja na fila para concorrer ao governo de São Paulo em 2014. Além de Kassab, que considera um nome certo na disputa, ele acredita que os primeiros da fila são os ministros paulistas do governo da presidenta Dilma Rousseff.

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Para o prefeito, seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o único nome na política brasileira em condições de concorrer a qualquer cargo, mas descartou uma candidatura de Lula no ano que vem.

O prefeito defendeu ainda a estratégia do PT de comparar os 10 anos de Lula e Dilma Rousseff com os oito anos de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Haddad, o PT teve o mérito de implementar políticas que eram vistas com desconfiança nos meios econômicos como o aumento do salário mínimo e a redução dos juros, enquanto os tucanos perderam a chance de fazer o Brasil crescer depois da estabilização econômica.

Questionado sobre a satisfação pessoal em comandar a maior cidade do Brasil, Haddad disse que “a felicidade é efêmera” e que só será feliz se ao fim dos quatro anos de mandato tiver cumprido seu programa de governo.

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