Às vésperas de convenção, PMDB aumenta pressão por mais cargos

Por Luciana Lima , iG Brasília |

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A presidenta Dilma Rousseff será convidada para o evento e terá que ter jogo de cintura para driblar as demandas do principal aliado de seu governo

Embora a presidenta Dilma Rousseff tenha dado a ordem para que cessassem os comentários sobre a reforma que precisará fazer em seu ministério, as substituições nas pastas do governo estarão nos bastidores da Convenção Nacional do PMDB, marcada para o próximo sábado (2), em Brasília.

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O objetivo do encontro é reconduzir a dupla Michel Temer e Valdir Raupp à presidência do partido. Há acordo para que Temer, presidente da legenda, se licencie logo após a recondução e deixe a presidência a cargo de Raupp, como ocorre atualmente.

No entanto, se há acordo quanto à condução do partido, as disputas pelas pastas do governo de Dilma Rousseff provocam disputa interna. Diante das denúncias veiculadas contra o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), que fizeram o Planalto abortar de vez a intenção de nomeá-lo para a pasta da Ciência e Tecnologia, há grupos no partido, principal aliado do governo, dispostos a emplacar mudanças e a indicar novos nomes.

O vice-presidente Michel Temer fará nesta semana o convite para que a presidenta Dilma prestigie o encontro nacional do seu principal aliado. Dilma, por sua vez, terá que ter jogo de cintura diante das demandas.

Cidades

Sem Chalita no páreo, crescem as pressões para que o atual vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, volte à Esplanada. No PMDB, a avaliação é de que está superado no Planalto o fato de que Geddel disputou com o petista Nelson Pellegrino a Prefeitura de Salvador e apoiou, no segundo turno, a candidatura vitoriosa de ACM Neto, eleito prefeito da capital baiana.

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Com Geddel, O PMDB almeja comandar o Ministério das Cidades, uma das pastas mais cobiçadas, por abrigar projetos importantes como o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, além das obras de mobilidade urbana com vistas à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro.

Moeda de troca

O novo líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não esconde a necessidade de um espaço maior para a legenda na Esplanada. Essa ideia é compartilhada por todos os integrantes do PMDB, independentemente das alas às quais pertencem.

A formação da aliança entre PT e PMDB na sucessão no Rio de Janeiro poderá ser uma moeda de troca. Na segunda-feira (25), o PMDB fluminense distribuiu uma nota cobrando do PT apoio à candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão em 2014. O partido divulgou ainda que poderá não apoiar a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, caso seja mantida a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) ao governo do Estado. A nota será lida na convenção do partido pelo deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ).

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Na visão de peemedebistas, quem também anda incomodado com sua posição sem destaque é o ministro Moreira Franco, que dirige a Secretária de Assuntos Estratégicos, pasta ligada à Presidência da República, destinada a realizar estudos e pensar estratégias de médio e longo prazo para problemas que afetam o País. Na avaliação de peemedebistas, a principal atividade da secretaria é a realização de seminários sem nenhuma repercussão e defendem a mudança de pasta para Moreira Franco.

Também cresce dentro do PMDB a ideia de que não faz sentido a presidenta manter no ministério dois nomes do Maranhão, nesse caso, o ministro do Turismo, Gastão Vieira, e de Minas e Energia, Edison Lobão, ambos ligados ao senador José Sarney. Neste contexto, peemedebistas da cúpula enxergam a pasta do Turismo como uma oportunidade para abrigar Moreira Franco.

Mineiros

Outra demanda a ser apresentada pelo PMDB é pela pasta dos Transportes, mesmo que atualmente seja considerada “esvaziada” após a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que cuida do planejamento de estradas a aeroportos no País. A parte mineira do PMDB tem disputado essa pasta, almejada tanto pelo deputado Leonardo Quintão, quanto pelo deputado Antônio Andrade.

Nesse caso, o PMDB mineiro coloca na mesa a possibilidade de apoio do partido à possível candidatura do ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT) ao governo de Minas Gerais.

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