Para socialistas, candidatura de Campos dependerá de desempenho de Dilma

Por Luciana Lima , iG Brasília |

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Integrantes do PSB não escondem que, se a imagem da presidente for abalada pelo fraco desempenho da economia, o partido optará por outro caminho em 2014

O prazo para o PSB continuar apoiando o governo vai depender da popularidade que a presidenta Dilma Rousseff terá até o final desse ano. Os socialistas não escondem que, se Dilma tiver a aprovação abalada devido ao desempenho da economia em 2013, o partido optará por lançar a candidatura do seu maior expoente, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

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Alan Sampaio / iG Brasília
Eduardo Campos (PSB) é um dos possíveis candidatos à Presidência em 2014

O governador do Ceará, Cid Gomes, que se declara apoiador de Dilma, foi cético ao falar dos indicadores econômicos e demonstrou a preocupação com a imagem da presidenta. “Ou o Brasil retoma o crescimento, ou vai ter um índice de elevação de emprego pífio. Aí, isso começa a criar problemas de imagem de popularidade para o governo”, disse o governador, após participar no Palácio do Planalto da cerimônia de ampliação do programa Brasil sem Miséria, nesta terça-feira (19).

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“Eu acho que a popularidade do governo dela vai começar a ser abalada. Não é o que eu quero que aconteça, mas tem que ter essa preocupação. Esse ano e fundamental que o Brasil volte a crescer, sob pena de se ter uma queda maior, que se traduza inclusive em uma elevação do índice de desemprego”, enfatizou. Se o governo gerar menos vai ter partido da base migrando para outras candidaturas, ou você tem dúvida que boa parte dos partidos da base está lá por oportunismos? Não tenha não”, aconselhou.

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Para Cid, o primeiro sinal de que a economia poderá ser o fator de queda na popularidade de Dilma é o que ele chamou de contradição entre um crescimento econômico baixo e a alta no índice de emprego.

“Os dois primeiros anos do governo da Dilma foram aparentemente paradoxais nos indicadores. Você teve baixo crescimento de PIB (Produto Interno Bruto) e alto crescimento de emprego. Isso é desproporcional, pelo menos. As pessoas estão mais preocupadas com o emprego, PIB é só um número”, disse o governador.

“Eu atribuo essa diferença ao crescimento grande que a gente teve em 2010, que deixou ainda uma demanda de emprego. Essa demanda só foi suprida em 2011 e 2012. Creio eu que em 2013 nós não teremos mais essa influência”, enfatizou Cid.

Ausência

Em conversa com a presidenta no mês passado, Campos evitou firmar acordo de apoio à reeleição e limitou a aliança do PSB com o PT a 2013. “O Eduardo Campos teve uma conversa, que eu tive conhecimento, muito franca com a presidenta Dilma. O nosso compromisso é o de apoiá-la. O meu compromisso pessoal é o de apoiá-la em 2014. O compromisso do partido é o de apoiá-la nesse ano. Eu acho que o Eduardo entende que esse ano é crucial para o projeto futuro dela de reeleição”, avaliou Cid Gomes.

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“O Eduardo, eu acho que ele está sendo solidário quando ele diz que o melhor papel que o PSB pode cumprir é ajudar a Dilma nesse ano que é decisivo para qualquer projeto futuro”, explicou o governador.

A ausência de Eduardo Campos foi sentida no Planalto nesta terça-feira, na cerimônia que, para muitos aliados soou como o pontapé inicial da presidenta rumo à reeleição. Cid fez questão de amenizar a repercussão da ausência do colega: “Eu não vim a duas ou três solenidades que aconteceram aqui e é natural que não se possa vir. Na verdade, tudo que está acontecendo em relação ao Eduardo vira indicação de que o homem é candidato”, justificou Cid Gomes.

Campanha

Apesar do apoio a Dilma ainda vigorar, Eduardo Campos tem aceitado convites para mostrar a cara fora de Pernambuco. O líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), faz parte da turma entusiasmada com a candidatura do governador em 2014 e já agendou para abril, no Rio Grande do Sul, dois dias de festa e compromissos com a participação de Eduardo Campos. “Ele não pode dizer que é candidato, mas eu posso dizer que ele é”, disse o líder.

Além de participar da festa de aniversário do deputado gaúcho, que se transformará em um evento político com mais de dois mil convidados, Campos fará uma palestra sobre gestão pública em Porto Alegre. “Ele vai falar sobre gestão pública e sobre o que fez no governo de Pernambuco”, disse o deputado.

Em abril, o governador de Pernambuco também receberá da Assembleia Legislativa do Rio Grande Sul a medalha do Mérito Farroupilha. Essa homenagem já foi concedida à presidenta Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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