Acusado de se beneficiar de esquema de corrupção, Miguel subiu à tribuna da Câmara de São Paulo para se defender e dizer que tem rendimentos suficientes para comprovar bens

O vereador de São Paulo Aurélio Miguel (PR) usou a tribuna da Câmara Municipal nesta terça-feira para negar as acusações de que teria se beneficiado de um esquema de propina armado por Hussain Aref Saab, ex-diretor do Aprov (órgão da prefeitura que aprova imóveis), para liberar alvarás de shoppings na capital paulista. Aref deixou o cargo após as denúncias no ano passado e, assim como Miguel, também é alvo de ação movida pelo Ministério Público.

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"Eu não tenho nada a temer e nada a esconder", disse o vereador no plenário da Câmara. Ele evitou falar com jornalistas sobre o caso. Nesta terça-feira, a Justiça de São Paulo determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do vereador.

Vereador Aurélio Miguel se defende da acusação de participar de esquema de corrupção
Câmara Municipal de São Paulo
Vereador Aurélio Miguel se defende da acusação de participar de esquema de corrupção

O vereador afirmou que tem rendimentos suficientes para justificar seu patrimônio e acusou o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) de ter quebrado seu sigilo financeiro ao ter acesso às informações sobre seus bens. "Minha indignação é de como está sendo feito. Meus advogados me orientaram a não falar mais sobre isso e eu vou fazer minha defesa nos tribunais competentes", disse Miguel.

Em sua fala, Miguel afirmou que só conheceu Aref quando ele foi interrogado pela Câmara, no ano passado, na CPI que investigou o episódio. O vereador insistiu que teve uma postura independente durante a investigação feita na CPI, e que chegou a denunciar irregularidades de forma independente ao Ministério Público, mas que todas teriam sido arquivadas.

Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, o vereador Aurélio Miguel multiplicou seu patrimônio depois de se eleger vereador na capital paulista. Parte desse patrimônio teria sido obtido, ainda de acordo com a publicação, por meio de propinas pagas por Aref, e os dirigentes da Brookfield, empresa responsável por obras de shoppings, para não revelar irregularidades descobertas por ele quando dirigiu a CPI do IPTU, na Câmara Municipal, entre 2008 e 2009.

Seus bens, somando as declarações de pessoa física e jurídicas, chegariam aos R$ 25 milhões, com 25 imóveis, contra o R$ 1,4 milhão, em valor atualizado, declarado em 2004, quando concorreu em sua primeira eleição. Seu patrimônio pessoal é compatível com sua renda, de acordo com o Ministério Público, ao contrário dos bens de suas empresas, que detêm 13 dos 25 imóveis do vereador.

Aref e os dirigentes da Brookfield negam as acusações. Eles foram denunciados criminalmente em 2012 por corrupção e formação de quadrilha, e a Justiça ainda analisa se aceita a denúncia.

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