Morre aos 74 anos o ex-ministro da Justiça Fernando Lyra

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ex-ministro do governo Sarney, político estava internado no Incor desde o início de janeiro com infecção sistêmica e insuficiência cardíaca

Reprodução/TV Câmara
Fernando Lyra, ex-ministro da Justiça do
ex-presidente José Sarney

O ex-ministro da Justiça Fernando Lyra morreu nesta quinta-feira (14) aos 74 anos em decorrência de falência de múltiplos órgãos, no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde estava internado desde o início de janeiro.

Primeiro, Lyra havia dado entrada no Hospital Português no Recife com infecção urinária, quadro que se agravou devido a problemas cardíacos que ele já enfrentava havia 20 anos, e foi transferido para São Paulo no dia 5 de janeiro.

Em boletim médico divulgado no início do mês, Lyra estava sedado e respirava com ajuda de aparelhos. O ex-ministro apresentava insuficiência cardíaca congestiva grave, associada a uma infecção sistêmica e insuficiência renal aguda.

Fernando Lyra foi ministro da Justiça do governo Sarney, de março de 1985 a fevereiro de 1986, o primeiro pós-ditadura militar. Na fase mais intensa de combate à ditadura, Lyra pertenceu ao chamado "grupo dos autênticos" do MDB, mas aderiu aos moderados e se aproximou do então deputado Tancredo Neves. Com a eleição de Tancredo para a Presidência, no início de 1985, acabou convidado pelo presidente José Sarney - que assumiu o Planalto com a morte de Tancredo - para o Ministério da Justiça, onde ficou durante cerca de um ano.

Ele foi deputado federal por sete mandatos seguidos, entre os anos de 1971 e 1999. O último cargo público ocupado por ele foi o de presidente da Fundação Joaquim Nabuco, de 2003 a 2011. Atualmente, o político escreve artigos para a revista Carta Capital.

Dilma Rousseff

A presidente Dilma Rousseff lamentou a morte de Fernando Lyra. "A democracia brasileira perdeu hoje um de seus mais expressivos defensores", afirmou a presidente em nota.

"Primeiro ministro da Justiça da redemocratização, Lyra foi o responsável pelo fim da censura oficial, passo fundamental na reconquista da liberdade de expressão no País", destacou a presidente.

Dilma também ressaltou a capacidade de articulação política do ex-ministro. "Exímio articulador político, Fernando Lyra foi um dos expoentes da formação da Aliança Democrática. Teve atuação relevante na Assembleia Nacional Constituinte e representou com brilho os eleitores de Pernambuco na Câmara dos Deputados por 28 anos", afirmou Dilma.

"Em nome de todas as brasileiras e de todos os brasileiros, apresento meus votos de pesar a sua mulher, Márcia, suas três filhas, familiares e amigos, neste momento de dor", concluiu a presidente.

Com Agência Estado

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