PF determina investigação sobre ação de hackers em conta de deputado

Por Wilson Lima , iG Brasília | - Atualizada às

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Outros parlamentares também se queixaram à administração da agência do Banco do Brasil da Câmara por terem suas contas invadidas

A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar a ação de hackers nas contas pessoais e funcionais do deputado federal Sibá Machado (PT-AC). Os invasores conseguiram roubar aproximadamente R$ 70 mil das contas do parlamentar. As ações ocorreram em 2011 e no ano passado.

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No caso específico de Sibá Machado, além de invadir as contas do parlamentar, os hackers também conseguiram acesso ao cartão de crédito do congressista. Com os dados e senhas do cartão, os estelionatários conseguiram comprar objetos e até adquiriram passagens aéreas em nome do parlamentar. Essa investigação foi iniciada durante o ano passado e não há prazo para conclusões.

Divulgação
Sibá Machado (PT-AC) foi um dos alvos dos hackers

Além de Sibá Machado, outros parlamentares também afirmaram que tiveram suas contas invadidas à gerência da agência do Banco do Brasil da Câmara dos Deputados. Não se tem informações ao certo de quantos deputados fizeram essa reclamação. Estima-se que até 23 parlamentares foram lesados por hackers.

Ontem, o iG revelou que além da ação de hackers, uma quadrilha especializada em aplicar golpes em deputados e senadores foi identificada e desarticulada após ação da Polícia Legislativa do Senado e da Câmara. Os deputados federais recebiam ligações em seus telefones celulares e eram convencidos a efetuar depósitos de grandes quantias em dinheiro na conta dos falsários. Pelo menos dez deputados e senadores caíram no golpe.

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Inicialmente a Polícia Legislativa do Senado informou que eram cinco membros. Nesta quarta-feira, após a reportagem do iG, houve a retificação deste número. A quadrilha tem quatro membros: três de Alagoas e um de Sergipe. Informações preliminares apontam que o grupo tenha conseguido levantar cerca de R$ 20 mil. Uma das vítimas foi a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS). Ela depositou R$ 1,6 mil na conta dos estelionatários.

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O ex-deputado federal Paulo Piau (PMDB-MG), hoje prefeito de Uberaba, cidade a 475 quilômetros de Belo Horizonte, confirmou que foi um dos parlamentares procurados ano passado pelos golpistas, mas ele alega não ter sido convencido pelos falsários. “Achei estranho receber uma ligação de um colega parlamentar de Alagoas para dar uma ajuda emergencial pra ele. De imediato, pedi cinco minutos para esse colega e disse que ia retornar o mais rápido possível. Nesse tempo, eu liguei para o gabinete dele e vi que ele nunca tinha me ligado”, declarou o parlamentar.

Na Câmara, o assunto vinha sendo tratado quase como um sigilo de Estado. Antes da reportagem do iG, parlamentares evitavam admitir abertamente terem sido vítimas de um golpe considerado banal como esse. A Polícia Legislativa da Câmara e do Senado também não divulga nomes para não atrapalhar as investigações. A expectativa é de que o inquérito sobre a quadrilha que conseguiu aplicar os golpes contra os parlamentares seja concluído nas próximas semanas.

Neste momento, os investigadores estão tentando obter os extratos bancários das contas dos estelionatários para conseguir contabilizar ao certo quanto eles conseguiram furtar dos deputados federais e senadores.

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