Estelionatários e hackers se especializam em golpes contra parlamentares

Por Wilson Lima , iG Brasília | - Atualizada às

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Polícia Legislativa da Câmara e Senado identificou uma quadrilha que lesou pelo menos dez parlamentares; um dos golpes inclui desvios de até R$ 70 mil feitos por hackers

Mesmo tendo à disposição todo um aparato de vigilância e segurança, deputados federais e senadores se tornaram presas fáceis para estelionatários e hackers. A Polícia Legislativa da Câmara e do Senado identificou em janeiro uma quadrilha de cinco pessoas especializada em aplicar golpes contra congressistas. Alguns esquemas são velhos conhecidos dos parlamentares, baseados em telefonemas falsos nos quais os bandidos convencem as vítimas a depositar valores numa conta bancária. Mas há também denúncias sobre a ação de hackers, cujo alvo seria a conta-salário e a verba de gabinete de deputados e senadores. As denúncias desse tipo de golpe apontam um prejuízo de até R$ 70 mil.

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Segundo informações obtidas pelo iG, pelo menos 30 deputados federais e senadores foram procurados desde novembro do ano passado pelo grupo de estelionatários indentificado pela polícia. Dez deles, no mínimo, caíram no golpe. A quadrilha agia da seguinte maneira: os golpistas ligavam para os telefones celulares pessoais de deputados e senadores e se passavam também por congressistas de Alagoas ou Sergipe, como Givaldo Carimbão (PSB-AL).

Os golpistas pediam dinheiro aos parlamentares alegando estarem em alguma situação de emergência. Como justificativa, os golpistas afirmavam que precisavam de dinheiro para conserto de veículos, compra de passagens aéreas ou para custeio de despesas médicas.

De acordo com a investigação, os parlamentares que caíram no golpe dizem ter confiado na história contada pelos estelionatários e efetuavam depósitos em uma conta bancária da quadrilha. O iG apurou que alguns parlamentares chegaram a creditar valores de até R$ 3 mil. Os deputados e senadores alegam que foram lesados e tiraram do próprio bolso esse dinheiro para ajudar o suposto colega em apuros.

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Para se passar por deputados federais ou senadores, os falsários conseguiram imitar até mesmo as vozes e os vícios de linguagem dos colegas. “É o clássico golpe do sequestro-relâmpago, mas em outro formato”, disse um dos integrantes do processo de investigação. Os que chegaram a ser procurados pelo grupo, mas não caíram no golpe, de uma maneira geral, foram alertados por assessores parlamentares.

A Polícia Legislativa ainda investiga o valor total levantado pelos estelionatários. Após as primeiras denúncias, foi encaminhado um e-mail aos deputados e senadores alertando sobre o golpe. “Eu até cheguei a ser procurado por um cidadão alegando ser deputado federal, mas achei muito estranho. Ele disse que precisava de R$ 1,9 mil para pagar uma passagem de Alagoas para Brasília e admito que eu até ia efetuar o depósito. Mas um assessor me alertou e fomos checar onde o colega estava. Ele estava em Brasília. Por pouco não caí nessa”, disse um deputado que preferiu não se identificar.

Os integrantes da quadrilha, um natural de Sergipe e quatro de Alagoas, admitiram participação no golpe em depoimento prestado há aproximadamente dez dias às polícias legislativas e civis dos dois Estados. O inquérito, que tramita em caráter sigiloso, está em fase de conclusão. A Polícia Legislativa da Câmara e Senado também investiga como os golpistas conseguiram os números de telefones celulares pessoais dos parlamentares.

Esse tipo de golpe, no entanto, tende a não dar cadeia para os criminosos já que é considerado de baixo potencial ofensivo. Os cinco responsáveis pelos golpes devem responder criminalmente por formação de quadrilha e estelionato. O crime de formação de quadrilha é passível de um a três anos de prisão e o de estelionato, de um a cinco anos.

A Polícia Legislativa tenta identificar se os responsáveis pelo golpe já cometeram ações semelhantes. Mas parte da quadrilha é formada por réus primários, o que diminui potencialmente uma suposta punição. Segundo um dos integrantes do processo de investigação, essas cinco pessoas devem ser condenadas à prestação de serviços à comunidade.

Além desse golpe, outros deputados dizem ter sido vítimas da ação de hackers. O deputado federal Sibá Machado (PT-AC), por exemplo, fez duas denúncias à Polícia Federal (PF) alegando que, misteriosamente, R$ 60 mil sumiram das suas contas da verba de gabinete e de sua conta-salário, durante o ano de 2011, e outros R$ 10 mil, no ano passado.

O processo está em fase de investigação. Por conta disso, Machado foi obrigado a trocar todas as suas contas desde então. “Foi um problema pessoal muito grave. Fiquei extremamente nervoso e até hoje tento me recuperar dessa história”, disse o deputado. O inquérito também tramita em caráter sigiloso, mas suspeita-se que outros parlamentares também tenham tido suas contas pessoais e de verba de gabinete invadidas por hackers.

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