Oposição a Haddad na Câmara de São Paulo começa ano legislativo dividida

Por Ricardo Galhardo , iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Desmembramento da Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos foi o motivo do desencontro entre o Coronel Telhada (PSDB), cotado para a vaga, e os vereadores tucanos

A bancada de oposição na Câmara Municipal de São Paulo começou o ano legislativo dividida. O motivo é o apoio do líder do PSDB, Floriano Pesaro, ao desmembramento da Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos.

O desmembramento contrariou o vereador Adriano “Coronel” Telhada, também do PSDB, que almejava uma vaga na comissão. A possível indicação pelo PSDB de Telhada causou protestos entre adversários e ativistas de direitos humanos.

Telhada, um dos vereadores mais votados nas eleições de 2012, é ex-comandante da ROTA, a mais temida tropa da Polícia Militar de São Paulo.

Veja mais notícias sobre a capital paulista no site iG São Paulo

Poder Online:

PSDB promete oposição ‘duríssima’ na Câmara de SP

Câmara de SP estuda desmembrar Comissão de Segurança e Direitos Humanos

Divulgação
Haddad participou de sessão que marcou a abertura do ano legislativo na Câmara de São Paulo

Na semana passada, a vereadora Juliana Cardozo (PT) sugeriu o desmembramento da comissão, que oficialmente se chama Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais. Segundo ela, Telhada não poderia participar de um grupo que tem como objetivo investigar a violência policial.

Quando a petista fez a proposta, o coronel reclamou publicamente alegando que a polícia também defende os direitos humanos. Hoje, Telhada sentiu-se desprestigiado ao saber por terceiros que o líder de sua bancada apoiou a proposta.

“Fico muito triste que esta comissão (de Segurança) seja criada num momento infeliz. É uma postura anticonstitucional e anti-humana”, disse o vereador estreante.

Até momentos antes da reunião de líderes que definiria o desmembramento, Telhada não sabia do apoio de Pesaro ao desmembramento. Ao ser informado, o coronel foi falar com o líder tucano para entender a situação.

Andrea Matarazzo: Sem dúvida, Serra ainda pode disputar a Presidência

O apoio ao desmembramento não foi discutido com todos os nove vereadores tucanos, a segunda maior bancada da Câmara paulistana. “Conversamos eu e o Floriano”, afirmou o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), que defendeu a participação de Telhada na futura Comissão de Segurança. “Ele foi eleito para isso. É isso que os eleitores dele esperam”.

Outros dois vereadores tucanos que falaram com o iG com a condição de que seus nomes não fossem revelados discordaram da posição do líder da bancada. Ambos são ligados ao ex-governador José Serra. O vereador Ari Friedenbach (PPS), também é contra o desmembramento da comissão. PSDB, PPS, setores do PV, PR e PSOL devem formar a oposição ao prefeito Fernando Haddad (PT) na Câmara Municipal.

No primeiro dia de trabalho na nova função, o Coronel Telhada, acostumado a enfrentar a perseguições armadas e tiroteios, disse estar assustado com ambiente político. “Confesso que estou um pouco assustado. Estou acostumado ao ambiente militar onde as coisas são mais organizadas”, disse o coronel, incomodado com as rodinhas e conversas no plenário durante a sessão. “Irrita. Acho um absurdo, uma falta de educação”.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas