Procurador-geral é o responsável pela denúncia ao STF contra o peemedebista, eleito novamente para presidir a Casa

O novo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), terá a atribuição de colocar sob apreciação do Senado uma representação contra o seu principal acusador: o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A representação foi apresentada à Mesa Diretora do Senado pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) e pede a abertura de impeachment contra o procurador-geral no caso do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

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Na semana passada, Gurgel tirou da gaveta e apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), a denúncia de que Renan teria utilizado documentos falsos para comprovar despesas pagas com recursos do Senado. Renan é acusado de ter praticado os crimes de peculato, falsidade ideológica e utilização de documentos falsos, quando teve que explicar a acusação de ter a pensão de sua filha, com a jornalista Mônica Veloso, pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior.

No PMDB, partido que se esforçou para retirar o nome do procurador-geral do relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) do Cachoeira, o sentimento é de não impedir a apreciação da petição. O próprio Renan teria se articulado no ano passado nos bastidores para que Gurgel não fosse citado por prevaricação diante das suspeitas levantadas sobre o esquema comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, na Operação Vegas, da Polícia Federal.

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O pedido de impeachment de Gurgel foi apresentado no ano passado, durante o funcionamento da CPI, devido a recusa do procurador de comparecer ao Senado para explicar a falta de denúncia da organização criminosa, mesmo com as provas colhidas pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo.

Hoje, durante a sessão do Senado que elegeu Renan, o apoio dado por Collor ao novo presidente teve um tom de ataque ao procurador-geral . “Como é que esse senhor tem autoridade moral para apresentar uma denúncia contra um Senador da República que já foi julgado pelo Senado Federal?”, questionou Collor. “Cabe a esta Casa, o Senado da República, julgar essa representação, que já está tramitando no Senado da República”, pediu o ex-presidente.

“Embora tenha hoje a função de procurador-Geral da República, esse senhor é prevaricador, chantagista e, portanto, sem autoridade moral de colocar um Senador já absolvido por este Plenário numa situação de constrangimento, em que ele quis colocar quando da apresentação desta pseudodenúncia”, disse Collor.

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