Haddad recusa pressão por cargos, causa insatisfação no PT e suspense na Câmara

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

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Prefeito não tem aceitado indicações políticas para cargos na prefeitura, preferindo nomes que já têm experiência em administração pública, alguns até de gestões anteriores

A recusa do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), em aceitar indicações políticas para cargos na prefeitura tem causado descontentamento na base do PT paulistano, movimentos sociais ligados ao partido e suspense na Câmara dos Vereadores.

Na semana passada alguns dirigentes petistas descontentes com a falta de espaço na administração Haddad iniciaram um movimento por uma renúncia coletiva. Sete presidentes zonais do PT ouvidos pelo iG confirmaram a intenção de renunciar caso suas reivindicações não sejam atendidas.

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Antes da posse de Haddad, os diretórios zonais do PT chegaram a fazer plenárias para indicar candidatos às subprefeituras mas Haddad optou por nomear engenheiros com carreira na administração municipal, alguns deles identificados com as gestões José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) e histórico de confrontos contra movimentos sociais ligados ao PT.

Na Câmara Municipal o clima é de suspense. Os vereadores aliados também tentaram indicar afilhados para as subprefeituras e não foram ouvidos. Agora, sugerem nomes para as chefias de gabinete das subprefeituras e cargos de segundo escalão mas não sabem se os pleitos serão atendidos.

Segundo o secretário de Relações Governamentais, João Antonio, Haddad deu ordens expressas para não ceder às pressões.

“Quem quiser chiar pode chiar. Sabemos que haverá descontentamento até mesmo dentro do PT mas a ordem do prefeito é montar uma prefeitura para atender a população. O critério de escolha será o currículo de cada um. Se o indicado tiver ligação política com alguém será por coincidência”, afirmou o secretário.

De acordo com ele, a relação com os vereadores será negociada com os partidos, no âmbito da coalizão de governo.

Apesar do suspense, nenhum vereador quer se expor e reclamar publicamente da falta de espaço na administração. Afinal, o novo governo ainda vai nomear os ocupantes de centenas de cargos de segundo e terceiro escalões.

Apesar da tranquilidade com que a equipe de Haddad encara as pressões por espaço, algumas ações concretas já causam constrangimento ao novo prefeito. No primeiro dia de governo um grupo de sem-teto invadiu um prédio na frente da prefeitura. No início desta semana, foi a vez de movimentos por moradia ocuparem o imóvel onde será criado o Museu da Democracia idealizado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora os manifestantes argumentem que os objetivos são pressionar a administração por projetos de moradia e protestar contra a entrega da Secretaria de Habitação ao PP do deputado Paulo Maluf, o pano de fundo é a insatisfação dos movimentos populares pela falta de espaço na administração e pela forma como foram tratados por Haddad no período de transição.

“Pode ser. Mas isso é da democracia”, disse João Antonio.

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