Câmara gasta R$ 280 milhões em reforma de imóveis

Por Agência Estado | - Atualizada às

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Montante pagaria auxílio-moradia de R$ 3 mil a todos os deputados por 15 anos e equivale a R$ 650 mil por cada um dos 432 apartamentos funcionais. Gastos só com banheiras de hidromassagem devem atingir R$ 1,5 milhão

Agência Estado

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A reforma dos 432 apartamentos funcionais destinados aos deputados federais vai custar pelo menos R$ 280 milhões aos cofres públicos, segundo estimativas da Câmara - o que equivale a R$ 650 mil para cada imóvel.

Com os R$ 280 milhões, seria possível pagar o auxílio-moradia de R$ 3 mil a todos os 513 deputados por 15 anos. Se a Câmara optasse por vender os 432 aptos pelo valor de mercado que afirma terem, R$ 2,35 milhões cada, a operação renderia R$ 1,014 bilhão. O valor arrecadado na eventual venda seria o suficiente para pagar auxílios-moradia a todos os deputados de R$ 3 mil por 660 meses, ou 54 anos.

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Até agora, a Casa já gastou cerca de R$ 108 milhões com os nove prédios que já passaram ou ainda estão sendo reformados. Nos outros nove edifícios devem ser gastos mais R$ 172 milhões - valor que pode subir, porque será feito um novo edital de licitação. Só em banheiras de hidromassagem, os gastos devem atingir R$ 1,5 milhão.

Cerca de 90 deputados estão na lista de espera por um apartamento. Os primeiros contratos de licitação para as reformas foram firmados em 2007. De lá para cá, seis prédios - com 24 apartamentos cada um - foram entregues depois de atrasos que, somados, extrapolaram em mais de três anos a data prevista para conclusão das obras. Entre os motivos da demora estão problemas com construtoras, como abandono no meio da execução e falência.

O deputado Julio Delgado (PSB-MG), da 4.ª Secretaria da Mesa Diretora, responsável por providenciar o apartamento funcional ou verba de auxílio-moradia, atender aos pedidos de reparos e acompanhar o andamento das obras, defende que agora os imóveis, que pertencem todos à União, estão mais valorizados. O cálculo é que valem hoje, em média, R$ 2,35 milhões cada um.

"Quando eu assumi essa função, fiz um levantamento e vi que apenas quase 200 deputados ocupavam os apartamentos funcionais e mais de 300 requisitavam o auxílio-moradia de R$ 3 mil. Isso significa que éramos obrigados a manter vigilância, limpeza e reparos em prédios em que moravam meia dúzia de pessoas. Era um desperdício."

E continua: "Com a revitalização dos prédios, tornamos os funcionais mais atrativos e invertemos esse número: hoje, menos de 200 recebem o auxílio-moradia. E com lista de espera", afirma. "Sei que essa história da banheira de hidromassagem vai pegar mal, mas já estava prevista nos editais de licitação muito antes de eu assumir a Secretaria, então eu não tenho nada a ver com isso", justifica Delgado.

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