Com base na denúncia feita por Marcos Valério, envolvendo ex-presidente no caso do mensalão, Gurgel remeterá caso à primeira instância, já que Lula não tem foro privilegiado

O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva com base na acusação feita pelo operador do mensalão , Marcos Valério, segundo a qual o esquema também pagou despesas pessoais do petista.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu remeter o caso à primeira instância, já que o ex-presidente não tem mais foro privilegiado. Isso significa que a denúncia pode ser apurada pelo MPF em São Paulo, em Brasília ou em Minas Gerais.

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O procurador-geral Roberto Gurgel chegou a dizer anteriormente que apuraria o caso
AE
O procurador-geral Roberto Gurgel chegou a dizer anteriormente que apuraria o caso


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A decisão de dar prosseguimento ao caso foi tomada no fim de dezembro, após o encerramento do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. Condenado a mais de 40 anos de prisão, Valério mudou a versão durante o julgamento.

O depoimento de Valério, ainda nas mãos do procurador-geral da República, foi prestado em 24 de setembro do ano passado e divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo quase três meses depois. 

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No depoimento de 13 páginas, Valério disse ter passado dinheiro para Lula arcar com "gastos pessoais" no início de 2003, quando o petista já havia assumido a Presidência. O empresário relatou que os recursos foram depositados na conta da empresa de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud Godoy. Nas palavras de Valério, Godoy era uma espécie de "faz-tudo" de Lula.

Gurgel volta de férias na próxima semana e continuará dedicado ao assunto. A auxiliares, o procurador já havia indicado que seria praticamente impossível arquivar o caso sem qualquer apuração prévia. No fim do ano, a subprocuradora Cláudia Sampaio e a procuradora Raquel Branquinho, que colheram o depoimento de Valério, foram orientadas por ele a fazer um pente fino nas denúncias.

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O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, disse que seu cliente vai aguardar "o destino que será dado ao expediente". No STF, a revelação das acusações levou o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, a cobrar investigações . O ministro afirmou que não haveria outra saída senão investigar.

Com informações da Agência Estado e do jornal O Estado de S.Paulo

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