Genoino tem posse 'atípica', enquanto aliados negam existência do mensalão

Por Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

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Ex-presidente do PT Ricardo Berzoini volta a dizer que 'mensalão nunca existiu' e afirma que colega foi condenado por uma “interpretação equivocada” do STF

José Genoino, ex-presidente do PT condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no mensalão, tomou posse nesta quinta-feira (3) em uma sessão fechada do Congresso – o que não é comum. O agora deputado federal petista foi empossado pelo tucano Eduardo Gomes (PSDB-TO), integrante da mesa diretora da Câmara. “São ossos do ofício. Sou o primeiro secretário e o único (parlamentar da mesa) que estava aqui”, afirmou Gomes.

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O tucano se disse tranquilo em empossar o oponente petista, apesar de seu partido ter feito do mensalão o principal componente eleitoral a partir de 2005. “Eu vim porque é uma missão atribuída pela mesa. A Câmara determina a posse e não há porque me sentir constrangido por cumprir a lei”, argumentou.

A posse de Genoino ocorreu na sala do presidente da Câmara, o deputado Marco Maia (PT-RS), devido à reforma no plenário da Casa para instalar um novo sistema de votação, no qual parlamentares utilizarão tablets. A sessão não foi aberta, o que foge do usual na Casa. “Foi uma posse atípica, rápida e formal”, afirmou.

Agência Brasil
Genoino foi condenado a quase sete anos de prisão

Segundo Gomes, a sessão fechada ocorreu porque junto com o petista outros 14 suplentes foram empossados. “Eram 15 suplentes numa mesa onde só cabem oito”, disse.

Apenas quatro titulares participaram da cerimônia, todos do PT: José Nobre Guimarães (CE), Sibá Machado (AC), Nilmário Miranda (MG) e Ricardo Berzoini (SP).

Novo líder do PT na Câmara e irmão de Genoino, Guimarães aplaudiu o deputado no momento em que ele fez juramento com as mãos apoiadas na Constituição Federal. 

O irmão de Genoino esteve envolvido no escândalo dos ‘dólares na cueca’, em 2005. Na ocasião, seu assessor, Adalberto Vieira, foi preso no aeroporto de Congonhas portando US$ 100,6 mil na roupa e outros R$ 209 na mala. A acusação de improbidade administrativa contra o então líder do PT na Assembleia Legislativa do Ceará foi arquivada pelo Tribunal Superior de Justiça (STJ), após Guimarães recorrer.

'Mensalão não existiu'

O ex-presidente do PT, Ricardo Berzoini, saiu em defesa de Genoino após o ato fechado na sala de Marco Maia. “Genoino e João Paulo (Cunha, também condenado no processo do mensalão) são respeitados por toda a bancada (do PT na Câmara)”, disse.

O petistas afirmou que o “mensalão não existiu” e que a condenação de 6 anos e 11 meses em regime semiaberto imposta a Genoino foi fruto de um julgamento baseado em “uma interpretação equivocada” da lei pelos ministros do STF. “Não houve mensalão. Essa é a visão do partido. Houve ilegalidades eleitorais, infelizmente, mas não mensalão”, afirmou.

O ex-presidente do PT comparou a condenação do colega às perseguições sofridas por Tiradentes (herói da Inconfidência Mineira) e os ex-presidentes Juscelino Kubistchek e João Goulart (perseguidos após o Golpe Militar de 1964). “A história não termina com o julgamento. A história continua”, disse, ressaltando que Juscelino foi cassado pela ditadura e, depois, homenageado com um monumento em Brasília por João Figueiredo, último presidente militar.

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O ex-líder petista nega que a presença de Genoino na Câmara e de seu irmão como líder na Casa poderão servir de combustível para a oposição no pleito presidencial de 2014. “Quando a oposição vai por esse caminho (de usar o mensalão como argumento eleitoral), ela perde. Até porque, estamos dando não apenas as repostas, mas fazendo contraposição”, disse.

Alçado ao posto de único representante da oposição no Congresso, o tucano Eduardo Gomes ensaiou uma crítica sobre o trabalho de Genoino após o recesso da Casa, em fevereiro. “Vai ser um mandato monotemático, porque ele vai precisar se explicar o tempo todo”, opiniou.

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