Ao tomar posse do cargo nesta terça-feira, prefeito petista disse que atual modelo de desenvolvimento da capital está esgotado

Visto como principal nome da nova safra de lideranças petistas, Fernando Haddad assumiu a Prefeitura de São Paulo nesta terça-feira com um discurso de renovação política. “É necessária uma mudança de postura da classe política em relação a ela mesma”, disse Haddad.

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O prefeito se referia ao fato de que, ao contrário dos antecessores José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD), não vai recusar parcerias com outras esferas de poder, no caso o governo estadual liderado pelo tucano Geraldo Alckmin, por razões partidárias, mas foi interpretado por convidados como uma mensagem mais abrangente que diz respeito à forma como se faz política no país e no próprio PT.

Em 23 minutos de discurso Haddad tentou mostrar que pretende dar um enfoque novo à prática administrativa, começando por uma reforma geral no planejamento urbanístico da cidade.

“São Paulo está pronta para uma reforma, para repensar seu desenvolvimento. O modelo pelo qual São Paulo se desenvolveu por 80 anos, desde o tempo do Prestes Maia ( engenheiro e urbanista duas vezes prefeito da cidade nas décadas de 30, 40 e 60 ), se esgotou”, afirmou Haddad.

Kassab e Haddad se cumprimentam, durante a cerimônia de transmissão do cargo
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Kassab e Haddad se cumprimentam, durante a cerimônia de transmissão do cargo

Ele defendeu a criação de um novo plano diretor para a cidade em parceria com a Câmara Municipal. “O maior legado que a Câmara pode deixar para a cidade seria um conjunto de leis e normas que aponte para uma visão de futuro e mudança para a cidade. Começando pelo Plano Diretor”, disse.

Além disso, ele manifestou preocupação com as finanças do município e afirmou que vai renegociar a dívida da cidade com a União.

“São Paulo apesar de seu orçamento bilionário hoje perdeu sua capacidade de investimento em função de um acordo de dívida literalmente insustentável hoje e no futuro. Não há a menor condição de levar à frente esse grande projeto para a nossa cidade sem renegociarmos o contrato com o governo federal. Ele não se sustenta. Isso precisa ser dito com todas as letras. Temos que levar ao Congresso Nacional com todas as tratativas com o governo federal e o ministro Guido Mantega, uma proposta de repactuação das dívidas das unidades federativas, estados e municípios. Não podemos conviver com uma dívida que é 200% do nosso orçamento”, afirmou.

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Haddad pontuou seu discurso usando o mote de uma manifestação ocorrida uma semana antes do segundo turno das eleições: existe amor em São Paulo (referência à música do cantor Criolo ‘Não Existe Amor em SP’). 

“A cidade é sobretudo o gozo, o lazer, a convivência”, disse o novo prefeito da maior cidade brasileira.

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