Fernando Haddad terá maior equipe feminina

Prefeito eleito terá sete mulheres ocupando cargos no primeiro escalão do governo, entre eles Planejamento, Controle Urbano e sua vice, Nádia Campeão

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Nos últimos 22 anos, São Paulo teve duas mulheres petistas no comando da cidade: Luiza Erundina (1989-1992) e Marta Suplicy (2001-2004). Mas é Fernando Haddad, que assume nesta terça-feira (01/01/2013), o prefeito que escalou a maior quantidade de mulheres para ocupar cargos no primeiro escalão do governo. São sete.

Entre as 26 secretarias, cinco cadeiras estão reservadas a elas. E duas pastas são consideradas estratégicas: Controle Urbano, sob o chefia da arquiteta Paula Motta Lara, e Planejamento, entregue à economista Leda Paulani. Na área social, as escaladas são Denise Motta Dau (Mulheres), Luciana Temer (Assistência Social) e Marianne Pinotti (Pessoas com Deficiência).

Completam a lista feminina a vice-prefeita, Nádia Campeão (PCdoB), que assumirá o controle das ações entre secretarias relacionadas à Copa do Mundo de 2014, e a primeira-dama, Ana Estela Haddad, formada em Odontologia, que promete trabalhar diariamente na gestão da cidade, apesar de não pleitear nenhum cargo.

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Professora na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), a dentista planeja somar forças em duas áreas: saúde e educação. "Vou oferecer graciosamente parte do meu tempo para contribuir com esse projeto que eu acredito e, como primeira-dama, tenho um espaço político importante a ocupar. Mas vou fazer isso sem abrir mão da minha atividade profissional. Vou continuar dando aulas", afirma Ana Estela.

Para a vice-prefeita, o espaço aberto por Haddad às mulheres se deu de forma natural e seguiu o mesmo critério usado durante a campanha eleitoral. "Já tivemos papel de destaque nas eleições. Muitas líderes comunitárias e sindicais, candidatas a vereadora, empresárias e políticas nos ajudaram nessa trajetória. A ministra Marta Suplicy e a própria presidente Dilma Rousseff desempenharam funções muito importantes", avalia Nádia.

Mas o cenário traçado em São Paulo ainda não serve de parâmetro. A cientista política Lúcia Avelar ressalta que a participação das mulheres na política está mudando, mas lentamente. "As mudanças na sociedade são mais rápidas do que as mudanças no ambiente político", afirma Lúcia. Pesquisadora do Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade Estadual de Campinas, ela compara os dados de educação e o porcentual de empregos femininos em cargos públicos para revelar as características dessa situação. Enquanto a população feminina com título acadêmico (12%) é maior do que a masculina (10%), as mulheres são sub-representadas nos cargos de maior poder político.

Em sua pesquisa, Lúcia levantou os cargos comissionados mais bem pagos do governo federal. Em 2010, havia 78% de homens nesses empregos e 22% de mulheres. Apesar da enorme desproporção, em 1998 a situação era pior. Só 18% de mulheres estavam nos melhores cargos. "Existe um forte tradicionalismo relacionado a gênero na política. Haddad parece escapar dessa visão, o que pode trazer bons resultados para a cidade."

Antes de Haddad, a gestão com maior participação feminina foi a da prefeita Luiza Erundina, hoje deputada federal pelo PSB. Ela contava com a ajuda de outras cinco mulheres em um secretariado com 21 cadeiras. Proporcionalmente, o total de secretárias (23%) no governo Erundina é maior do que o do grupo escolhido por Haddad (19%).

"Acho que ainda falta motivação para que as mulheres disputem o poder com os homens. Muitas ainda acham que não vale a pena, pois associam equivocadamente a política com falta de moral. Mas a política é a forma que temos para melhorar a sociedade", defende Erundina.

Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta tiveram apenas uma mulher cada em seus respectivos secretariados. A prefeita Marta Suplicy (PT) voltou a aumentar o total de mulheres na pasta, com quatro postos, mas José Serra (PSDB) reduziu, escalando apenas três. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) só escalou Alda Marco Antônio, que dividiu o posto de vice-prefeita com o de secretária da Assistência Social. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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