Dirceu: um velório antes da decisão de Barbosa

Morte da ex-sogra foi o ponto culminante da forte pressão emocional vivida pelo ex-ministro nas últimas 24 horas à espera da decisão do Supremo sobre prisões

Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

Na quinta-feira à noite, depois de se reunir o dia todo com assessores e advogados em função da possibilidade de passar as festas de fim de ano atrás das grades, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu entrou no carro e foi até Santos, onde um velório o aguardava.

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Na manhã de quinta-feira Irene Saragoça, mãe de Ângela Saragoça, ex-mulher de Dirceu, e avó de Joana, filha do ex-ministro, havia falecido. Embora tenham se separado há anos, Dirceu e Ângela continuam próximos, principalmente por causa de Joana.

“Ele ficou arrasado. Como se não bastasse a chance de ir para a cadeia, perdeu uma pessoa muito querida”, disse um amigo de Dirceu.

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A morte da ex-sogra foi o ponto culminante da montanha russa emocional vivida pelo ex-ministro nas últimas 24 horas. Dirceu e seus colaboradores mais próximos passaram todo o dia tentando esclarecer duas dúvidas.

A primeira era qual seria a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal , Joaquim Barbosa, quanto ao pedido de prisão imediata dos condenados no julgamento do mensalão.

“As informações que chegavam eram contraditórias. Algumas pessoas ligavam dizendo que haviam falado com o Joaquim e que ele decretaria a prisão. Outros diziam o contrário. Nos preparamos para o pior”, afirmou um interlocutor.

A segunda dúvida era sobre as formas como seria executado o possível mandado de prisão. Ele deveria de apresentar à Polícia Federal ou esperar os policiais em casa? Iria discretamente para a cadeia ou transformaria a prisão em um gesto político? Todas as hipóteses foram consideradas.

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Dirceu havia se preparado para ir quinta-feira a Passa Quatro, em Minas Gerais, onde passaria o Natal com a família, mas o pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o obrigou a mudar os planos. Assessores que já estavam em férias tiveram que voltar para São Paulo.

O ex-ministro aguardou a decisão de Barbosa no apartamento da Vila Mariana, em São Paulo, acompanhado do irmão, José Luiz, e assessores próximos. Ele não foi ao enterro da ex-sogra e passou toda a manhã ouvindo música popular brasileira em um canal de TV a cabo.

Um pequeno grupo de militantes da União da Juventude Socialista (UJS), ligados ao PC do B, ficou discretamente de plantão na porta do prédio da Vila Mariana.

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Apesar da forte pressão emocional, Dirceu manteve a serenidade e não demonstrou alterações de humor ou ansiedade. “Ele estava pronto para cumprir qualquer que fosse a decisão do STF”, disse Marco Aurélio Carvalho, chefe da assessoria jurídica do PT, que passou toda a manhã com Dirceu.

A notícia de que Barbosa havia negado o pedido chegou pelos portais da internet. Assim que a informação foi divulgada, Dirceu sintonizou a TV em um canal de notícias para saber mais detalhes.

Os telefones celulares e da casa começaram a tocar insistentemente. Eram amigos e correligionários prestando solidariedade. Entre eles não estava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Não houve festa nem comemoração, só alívio. Só depois que os assessores deixaram o apartamento, Dirceu almoçou acompanhado de Ângela e da filha Joana. Depois, partiu para Passa Quatro acompanhado do irmão.

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