Em votação apertada, parlamentares rejeitam relatório da CPI do Cachoeira

Foram 18 votos contrários contra 16 favoráveis ao documento do petista Odair Cunha; caso não haja acordo sobre outros textos apresentados, CPI pode ficar sem relatório final

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Os parlamentares da CPI do Cachoeira rejeitaram nesta terça-feira (18) o relatório final do deputado Odair Cunha (PT-MG) sobre os trabalhos da comissão a respeito das relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados. Existem cinco votos em separado, ou seja, alternativos aos do relator, que serão avaliados ainda na sessão de hoje. Se não houver acordo sobre nenhum dos textos apresentados, a CPI pode ficar sem texto final.

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A votação que derrubou o relatório de Cunha foi apertada e o parecer foi rejeitado por uma diferença de dois votos. Com o apoio de parlamentares da base aliada e até a mobilização de suplentes da CPI, o placar da votação do texto terminou em 18 votos contrários e 16 favoráveis. Os parlamentares discutem se vão votar o relatório do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), que não sugere o indiciamento de nenhum dos investigados.

O texto de Cunha propunha ao Ministério Público o indiciamento de 29 pessoas e a responsabilização de outras 12 por participar ou se envolver criminosamente com a quadrilha comandada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na lista de indiciados, estão o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT); o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e o senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO).

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Flagrado em gravações telefônicas que indicariam sua ligação com o grupo de Cachoeira, o ex-senador Demóstenes Torres teve o mandato cassado. Cachoeira foi preso durante a Operação Monte Carlo, mas havia sido solto em novembro. Neste mês, ele teve novamente a prisão decretada, mas foi solto, por decisão do Tribunal Federal da 1ª Região.

O relatório gerou polêmica entre os integrantes da CPI por pedir o indiciamento de jornalistas e que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seja investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Gurgel é questionado por ter esperado a Operação Monte Carlo, feita em fevereiro deste ano pela Polícia Federal, para abrir investigação contra Cachoeira e seu grupo, quando uma operação anterior da PF já havia dado indícios contra o empresário. O procurador-geral argumentou que sua decisão de esperar permitiu a prisão do Cachoeira.

'Dois pesos e duas medidas'

O relator Odair Cunha chegou a propor algumas alterações finais no seu relatório, com a exclusão do indiciamento do vereador do PSOL Elias Vaz. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi um dos que surpreenderam porque acabou apoiando o texto de Cunha. Randolfe justificou-se dizendo que o relatório era o possível e chegou a parafrasear o ex-presidente da Câmara Ulysses Guimarães, na época da Assembleia Constituinte. "Não é a Constituição perfeita, mas será luz de lamparina na terra de desgraçados. Pode não ser o relatório perfeito (o do relator), mas vai ser luz de lamparina na terra da impunidade."

Contrário ao texto, o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), disse que não há como registrar a frustração ao término desta CPI. "Vamos votar contra este relatório não só pelo que dele consta, mas, sobretudo, pelo que não consta dele. O que está ausente é mais expressivo, mais significativo, do que dele consta." O tucano disse que se está, com o relatório de Cunha, "chovendo no molhado", uma vez que as providências de investigação já foram adotadas.

Alvaro Dias criticou o que chamou de "dois pesos e duas medidas" do relator da CPI, que na última hora excluiu do texto o vereador do PSOL. O deputado Silvio Costa (PTB-PE), outro contrário ao relatório, classificou o parecer de "o mais mercurial que já viu neste parlamento". "Eu nunca vi tantas idas e vindas neste relatório", completou.

O líder do PPS da Câmara, Rubens Bueno (PR), que chegou a apresentar um relatório em separado, também surpreendeu e disse que é, no mínimo, uma "desconsideração" não aprovar o trabalho de Odair Cunha no período. "Esse documento não exclui nada, o conluio da madrugada e da noite", destacou.

Ministério Público

Deputados e senadores já aprovaram por unanimidade nesta terça-feira que todas as informações apuradas na Comissão sejam enviadas para o Ministério Público de Goiás e para a Procuradoria Geral da República. Deste modo, segundo o deputado Odair Cunha (PT-MG), autor do pedido, "vamos garantir que, independentemente de nossas conclusões, os órgãos de investigação agora poderão fazer suas próprias análises, assim eles terão acesso às informações sigilosas de pessoas com foro privilegiado".

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