Deputado federal André Vargas defendeu abertura de comissão para apurar processo de privatização do sistema de telefonia

O secretário de Comunicação do PT, o deputado federal André Vargas, defendeu a abertura da CPI da Privataria Tucana para apurar, entre outros fatos, o processo de privatização do sistema de telefonia brasileiro. A bancada do partido no Senado é contra.

Esse movimento ocorre em meio à tentativa da oposição de investigar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , que foi acusado por Marcos Valério de ter envolvimento com o mensalão .

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O petista disse não ver problema na abertura de uma investigação parlamentar que teria como um dos alvos o ex-presidente da República. "Quem não deve, não teme", disse. Para Vargas, é preciso apurar uma conversa telefônica "no mínimo suspeita" em que FHC aparece supostamente favorecendo um grupo empresarial no leilão de privatização da Telebrás.

O secretário de Comunicação do PT disse também que a instalação imediata da CPI é uma "reação natural" ao que considera como tentativa de desconstruir Lula.

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Vargas afirmou que, na opinião dele, se está vivendo uma época em que há "dois pesos e duas medidas em relação a nossos ex-presidentes". "Não se cultiva o ex-presidente Lula dentro do País e FHC é sempre tratado como uma voz a ser ouvida".

O pedido de abertura da comissão foi apresentado ainda em dezembro do ano passado e só falta ser lido e instalado pela presidência da Câmara. Um acordo político com a oposição, contudo, tem adiado desde então os atos para o funcionamento efetivo da CPI.

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O petista acusou a oposição de usar denúncias feitas contra Lula na agenda parlamentar, com apoio de setores da imprensa. "O problema é que essa agenda não é a agenda do País", disse.

PT no Senado é contra

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), afirmou nesta terça-feira (18) que a bancada do partido na Casa é "radicalmente contra" . O convite foi aprovado na semana passada na Comissão Mista de Controle de Inteligência, tendo como autor do requerimento o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP).

"A bancada do Senado é radicalmente contra, não foi nem comunicado que esse negócio seria apresentado. Ele tem a liberdade de apresentar, mas tem que combinar conosco", afirmou. Walter Pinheiro classificou o pedido do colega de partido da Câmara como "sem eficácia, sem motivo e com erro de condução".

Logo após a aprovação do convite, Jilmar Tatto chegou a dizer que, "se eles querem guerra, vão ter". É uma referência à tentativa de a oposição investigar o envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão, a partir do depoimento do empresário Marcos Valério feito ao Ministério Público.

O líder do PT no Senado afirmou que está se "fazendo uma vingança com algo que não tem nada a ver". "Vingar do quê, pelo amor de Deus! Eu não faço política com vingança. Faço com coerência. O Congresso não é o fórum adequado para fazer esse tipo de oitiva. Esse é o princípio básico. Presidente e ex-presidente nós não devemos sequer convidar, nem convocar", disse. Ele ressalvou, contudo, que Fernando Henrique e Lula não estão acima de qualquer cidadão.

Segundo Walter Pinheiro, o requerimento do colega da Câmara, que pode ser recusado por se tratar de um convite, não deve se materializar por método. Para o petista, é "mais estardalhaço" do que algo que terá uma consequência prática.

Com Agência Estado

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