Apontado como chefe da quadrilha, ex-diretor da ANA oferece delação premiada

Paulo Vieira foi denunciado pelo MP por cinco crimes, acusado de negociar venda de pareceres técnicos de órgãos públicos, esquema revelado na Operação Porto Seguro

Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

O ex-diretor da Agência Nacional das Águas (ANA), Paulo Vieira, procurou o Ministério Público Federal para negociar uma delação premiada. Vieira e seus dois irmãos, Rubens e Marcelo, são considerados os chefes de uma quadrilha que fazia tráfico de influência junto a órgãos federais da qual também participaria a ex-chefe do gabinete regional da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha.

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Segundo a procuradora Suzana Fairbanks, o advogado de Paulo Vieira, Michel Darre, deixou um recado ontem dizendo que o ex-diretor da ANA tem interesse em uma delação premiada.

Vieira foi denunciado hoje por formação de quadrilha, tráfico de influência, falsificação de documento, falsidade ideológica e corrupção ativa (sete vezes).

Se a delação for aceita pelo MPF e pela Justiça Federal, Vieira pode receber um tratamento menos severo durante a instrução do processo e ter a pena reduzida.

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De acordo com a procuradora, a investigação que culminou com a Operação Porto Seguro gerou outros dois inquéritos. Um na área criminal, por lavagem de dinheiro, e outro cível, por improbidade administrativa. Segundo Suzana, já foram pedidas as quebras de sigilos fiscal e bancário de diversas empresas pertencentes aos irmãos Vieira.

A procuradora não soube informar se Rosemary é alvo dos pedidos de quebra de sigilo. De acordo com Suzana, a suposta participação de Rosemary na quadrilha foi comprovada por emails nos quais ela pedia favores a Paulo Vieira em troca de tráfico de influência. Entre estes favores estariam um cruzeiro, o emprego de uma das filhas de Rosemary na ANA e a falsificação de um diploma universitário para seu ex-marido.

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Além disso, a procuradora citou um pedido de empréstimo de R$ 650 mil em dinheiro para a compra de um apartamento. A possibilidade de enriquecimento ilícito de Rose e dos outros denunciados será investigada no inquérito sobre lavagem de dinheiro.

Conforme a procuradora, o fato de Rosemary ter sido indicada pessoalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia do gabinete em São Paulo e as relações pessoais dela com o ex-presidente não são objeto da investigação.

“A relação pessoal nunca foi foco da investigação. Tanto é que não sabíamos disso. Ficamos sabendo pela imprensa”, afirmou Suzana.

A procuradora destacou o fato de que a investigação não foi feita apenas pela Polícia Federal já que o MPF também produziu provas.

“Isso é um exemplo da importância da investigação do Ministério Público pois ajudou a mostrar para a PF a necessidade de ampliar o objeto e criar um grupo específico para esta operação”, disse.

Suzana Fairbanks descartou qualquer possibilidade de a PF ter apressado a investigação por ter concluído o inquérito apenas 15 dias depois de a operação ser deflagrada. “A investigação já existia há dois anos. O único trabalho neste final foi analisar o material apreendido no dia em que a operação foi deflagrada”, disse ela.

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