Paulo Vieira foi denunciado pelo MP por cinco crimes, acusado de negociar venda de pareceres técnicos de órgãos públicos, esquema revelado na Operação Porto Seguro

O ex-diretor da Agência Nacional das Águas (ANA), Paulo Vieira, procurou o Ministério Público Federal para negociar uma delação premiada. Vieira e seus dois irmãos, Rubens e Marcelo, são considerados os chefes de uma quadrilha que fazia tráfico de influência junto a órgãos federais da qual também participaria a ex-chefe do gabinete regional da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha.

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Segundo a procuradora Suzana Fairbanks, o advogado de Paulo Vieira, Michel Darre, deixou um recado ontem dizendo que o ex-diretor da ANA tem interesse em uma delação premiada.

Vieira foi denunciado hoje por formação de quadrilha, tráfico de influência, falsificação de documento, falsidade ideológica e corrupção ativa (sete vezes).

Se a delação for aceita pelo MPF e pela Justiça Federal, Vieira pode receber um tratamento menos severo durante a instrução do processo e ter a pena reduzida.

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De acordo com a procuradora, a investigação que culminou com a Operação Porto Seguro gerou outros dois inquéritos. Um na área criminal, por lavagem de dinheiro, e outro cível, por improbidade administrativa. Segundo Suzana, já foram pedidas as quebras de sigilos fiscal e bancário de diversas empresas pertencentes aos irmãos Vieira.

A procuradora não soube informar se Rosemary é alvo dos pedidos de quebra de sigilo. De acordo com Suzana, a suposta participação de Rosemary na quadrilha foi comprovada por emails nos quais ela pedia favores a Paulo Vieira em troca de tráfico de influência. Entre estes favores estariam um cruzeiro, o emprego de uma das filhas de Rosemary na ANA e a falsificação de um diploma universitário para seu ex-marido.

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Além disso, a procuradora citou um pedido de empréstimo de R$ 650 mil em dinheiro para a compra de um apartamento. A possibilidade de enriquecimento ilícito de Rose e dos outros denunciados será investigada no inquérito sobre lavagem de dinheiro.

Conforme a procuradora, o fato de Rosemary ter sido indicada pessoalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia do gabinete em São Paulo e as relações pessoais dela com o ex-presidente não são objeto da investigação.

“A relação pessoal nunca foi foco da investigação. Tanto é que não sabíamos disso. Ficamos sabendo pela imprensa”, afirmou Suzana.

A procuradora destacou o fato de que a investigação não foi feita apenas pela Polícia Federal já que o MPF também produziu provas.

“Isso é um exemplo da importância da investigação do Ministério Público pois ajudou a mostrar para a PF a necessidade de ampliar o objeto e criar um grupo específico para esta operação”, disse.

Suzana Fairbanks descartou qualquer possibilidade de a PF ter apressado a investigação por ter concluído o inquérito apenas 15 dias depois de a operação ser deflagrada. “A investigação já existia há dois anos. O único trabalho neste final foi analisar o material apreendido no dia em que a operação foi deflagrada”, disse ela.

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