'Não tenho mais o que fazer', diz Dilma sobre royalties do petróleo

Presidenta disse em Moscou que parlamentares devem votar 'de acordo com a consciência'; aliados veem como 'traição' a aprovação do pedido de urgência para analisar os vetos

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (13) que não pode fazer mais nenhum gesto para convencer o Congresso a manter os vetos ao projeto que altera as regras de divisão dos royalties do petróleo . "Eu já fiz todos os pleitos, o maior é vetar. Eu não tenho mais o que fazer, não tem nenhum gesto meu mais forte do que o veto. O resto seria impossível", disse Dilma a jornalistas em Moscou, onde está em viagem oficial.

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O PMDB traiu Dilma com a atitude do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), de colocar em votação o pedido de urgência para apreciação do veto. Esse foi o entendimento de alguns integrantes da bancada petista e de outros partidos da base durante a tumultuada sessão que aprovou a urgência da votação . De acordo com deputados próximos ao Executivo, esta avaliação não foi feita somente no Congresso. No Planalto, a leitura é a mesma, principalmente pela ausência de Dilma, que está em viagem à França e à Rússia.

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Os parlamentares deverão analisar o assunto na próxima semana e existe a possibilidade de que modifiquem as decisões adotadas por Dilma. "O funcionamento da democracia é assim", disse. A presidenta defendeu os vetos, ressaltando que eles "garantem a distribuição plena dos ganhos do petróleo para todos os brasileiros e brasileiras de todos os Estados".

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Dilma observou que sua posição levou em conta o respeito a contratos e a necessidade de aumentar os investimentos em educação. "Só vamos ser um país em desenvolvimento plenamente quando tivermos uma educação de qualidade no Brasil. Para isso precisamos de recursos", defendeu.

Segundo ela, o petróleo é um recurso finito, não renovável. "Tudo o que ganharmos do petróleo temos que deixar para a riqueza mais permanente, que é a educação que cada um carrega."

As declarações foram dadas em rápida entrevista da presidente no lobby do hotel onde está hospedada em Moscou. A presidente havia acabado de chegar de encontro com o primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, com quem discutiu questões bilaterais relacionadas ao comércio e a investimentos.

Dilma recebeu a promessa de que haverá uma solução "positiva" para os problemas relativos à importação de carne brasileira. "Ele não me comunicou ainda qual a decisão final, mas considera que os produtores brasileiros tomaram todas as medidas ".

A Rússia suspendeu em junho de 2011 a importação de carnes de três Estados - Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso.

Com Agência Estado e Reuters

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