Lula está indignado, diz ministro Gilberto Carvalho

Em depoimento ao MP, Valério acusa ex-presidente de ter se beneficiado do esquema do mensalão; para ministro, declaração de empresário é 'desespero oportunista' e 'indignidade'

iG São Paulo |

O ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, saiu nesta quarta-feira (12) em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e classificou como "desespero oportunista" e "uma indignidade" o depoimento do empresário Marcos Valério ao Ministério Público , no qual acusa o ex-presidente de ter se beneficiado do esquema do mensalão.

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Agência Brasil
Ministro Gilberto Carvalho também negou que tivesse recebido qualquer chantagem


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"O presidente Lula teve a sua vida privada invadida, examinada, atacada com lupa e até hoje não apareceu nada e não vai aparecer, porque não é essa a conduta do Lula, de compactuar com qualquer tipo de mal", declarou Carvalho, acrescentando que "nada do que o senhor Marcos Valério venha a assacar neste momento atinge o presidente Lula". "Se atingisse, estávamos preocupados."

As declarações do ministro foram dadas em café da manhã com a imprensa, no Palácio do Planalto. Ele evitou criticar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que na terça-feira (11) defendeu que o ex-presidente deve ser investigado pelo Ministério Público . "Não vou comentar a posição de Joaquim Barbosa e cabe a ele ser responsável pelas suas opiniões", disse Carvalho.

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O ministro disse que Lula está "profundamente indignado com a atitude deste senhor ( Marcos Valério )" e "impressionado" com a credibilidade que esse depoimento ganhou, embora o empresário esteja condenado por muitos anos pela Justiça . Para o ministro, é natural que a oposição, que as forças que querem combater o ex-presidente Lula usem, em cada episódio, "um gesto quase desesperado" para separar Lula e o povo. O ministro não acredita que, no futuro, Lula possa ser julgado pelo Supremo, como hoje estão os réus do mensalão.

Ele reconhece que o episódio desgasta o PT, mas lembra que o partido já emitiu nota dando as suas explicações . "O PT tomou a sua posição. Já fez uma nota explicando o que diz respeito à sua ação. Evidente que qualquer ataque provoca um desgaste. Agora, eu insisto: a sabedoria do povo sabe separar o joio do trigo", prosseguiu Carvalho, justificando que a população que foi tão beneficiada pelo governo Lula sabe que tudo que o governo fazia era para melhorar a condição de vida deles.

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E atacou a imprensa: "os formadores de opinião que imaginam, que formam, que determinam a opinião do povo, sempre acabam se decepcionando, porque o povo enxerga a realidade de maneira muito objetiva. Enxerga os valores éticos, os valores morais, e enxerga, sobretudo, aquilo que foi a mudança essencial provocada nesse País. Porque esse povo começou a ser enxergado pelo governo, começou a ser contemplado, começou a ser incluído. Nada mais importante do que essa mudança, que é profundamente ética".

Caso Celso Daniel

Carvalho negou também ter feito qualquer chantagem relacionada à morte do prefeito de Santo André , Celso Daniel (PT), executado em janeiro de 2002. Conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo na terça-feira (11), o empresário Marcos Valério disse, em depoimento ao Ministério Público Federal, que o PT teria lhe pedido R$ 6 milhões para que o empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André, parasse de chantagear Lula, Carvalho e o ex-ministro José Dirceu. Por trás das ameaças, estaria a morte de Celso Daniel.

"Nunca vi Marcos Valério, nunca falei com ele nem pessoalmente, nem por e-mail ou por qualquer outro meio. Nunca ouvi falar de suposta chantagem em Santo André envolvendo meu nome ou qualquer dos outros citados", disse Carvalho, por meio de nota divulgada pela Secretaria-Geral da Presidência da República.

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