Assessor de Lula nega ter ameaçado Valério de morte

Em depoimento à Procuradoria, publicitário condenado no julgamento do mensalão afirmou que Paulo Okamotto o teria ameaçado caso fizesse novas denúncias sobre o esquema

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Paulo Okamotto, assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , negou, nesta terça-feira, em Paris, onde acompanha o ex-presidente no Fórum do Progresso Social, ter ameaçado o publicitário Marcos Valério de morte caso ele denunciasse o envolvimento de personalidades do Partido dos Trabalhadores (PT) no esquema do mensalão . Pouco antes de participar como painelista do Fórum, Okamotto disse que não vê novas denúncias no testemunho de Valério à Procuradoria-Geral da República e que Lula tem de responder por ele mesmo.

Okamotto se disse "tranquilíssimo". "Primeiro, eu acho que não tem nenhuma denúncia. Que denúncia que tem?", respondeu.

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Interpelado pelo jornal O Estado de S. Paulo antes de participar do fórum, ao lado do ex-presidente Lula, da presidente Dilma Rousseff e do presidente da França, François Hollande, Okamotto disse não ter lido a reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal, que traz detalhes sobre o depoimento de Marcos Valério. Questionado sobre se o ex-presidente havia lido, o assessor disse que Lula "não lê o Estadão".

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A matéria publicada nesta terça-feira explica os fatos relatados por Valério à Procuradoria Geral, entre eles o de que o ex-presidente Lula teria dado seu "ok" para que as empresas de Valério pegassem empréstimos com os bancos BMG e Rural para alimentar o esquema de compra de apoio político no Congresso, o mensalão. "Meu nome não é Lula. Se teve esse negócio, eu não estava nessa reunião. Tem de perguntar para o Lula um negócio desses", disse Okamotto.

Ameaça

Em relação à denúncia de que o esquema do mensalão também teria bancado financeiramente despesas pessoais da família do ex-presidente Lula, Paulo Okamotto retrucou: "Que contas pessoais? Tem de perguntar para o Lula". Indagado sobre as supostas ameaças de morte que teria feito a Valério, Okamotto devolveu a pergunta. "Eu ameacei ele de morte? Por que eu vou ameaçar ele de morte?", questionou. "Está nos autos que eu ameacei ele de morte? Duvido! Duvido que ele tenha dito isso!"

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Sobre sua suposta conversa com Marcos Valério na qual teria afirmado que "gente do PT" o queria morto (referindo-se a Valério), Okamotto negou com ênfase. "Não, não, não. Eu não tenho nenhum motivo para desejar o mal a Marcos Valério. Eu o conheci depois do episódio do mensalão, da história que ele contava que tinha feito empréstimos em nome das empresas dele para ajudar o PT", disse ele. "Isso acabou trazendo um grande transtorno para ele, não é? Ele chegou a ser condenado." Após negar veementemente todas as acusações, o assessor do ex-presidente Lula colocou em dúvida a credibilidade das declarações de Valério à Justiça.

Até o momento, o ex-presidente Lula evitou os jornalistas. Abordado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo na saída do Hotel Meurice, onde está hospedado, Lula não quis falar. Outro assessor que acompanha a delegação, Luiz Dulci também não quis comentar as declarações de Valério à procuradoria. "Não vi o Estadão hoje. Acordei às 5h da manhã, mas por coisas daqui. Eu estou cuidando das coisas daqui", disse.

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