Ministro diverge de Barbosa e defende pena menor para Valério e outros 15

Marco Aurélio Mello chama de 'estratosféricas' algumas penas do mensalão e quer que o STF aplique a continuidade delitiva; se a tese dele prevalecer, outros 15 seriam beneficiados

iG São Paulo |

O ministro Marco Aurélio Mello abriu na tarde desta quarta-feira (5) divergência no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) e propôs a redução da pena do operador do mensalão , o empresário Marcos Valério, em quase 30 anos de prisão. Por oito condenações, a Corte havia fixado a pena dele em 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão. Marco Aurélio, contudo, votou pela unificação de todas as condenações de Marcos Valério no processo, excluindo apenas dessa conta a punição por formação de quadrilha. Com isso, a pena final do operador do esquema ficaria em 10 anos e 10 meses de prisão.

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O ministro classificou como "estratosférica" a pena de 40 anos de prisão fixada a Marcos Valério. "O mentor da quadrilha, José Dirceu, foi condenado a 10 anos, enquanto Marcos Valério, seu instrumento, a 40 anos", criticou ele, ao ressaltar que o operador do mensalão, mesmo com a redução da pena, continuará a cumprir a pena inicialmente em regime fechado. 

Antes de Marco Aurélio, o presidente do STF e relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, manifestou-se contrariamente ao reconhecimento de que alguns dos crimes teriam sido cometidos uma única vez, ou seja, na forma de continuidade delitiva. Na prática, a proposta de Marco Aurélio, se aceita pelo colegiado, pode levar à redução das penas aplicadas até agora à 16 dos 25 condenados no julgamento.

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Foi excluído do recálculo o núcleo político, do qual o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente do partido José Genoino estariam excluídos.

Marco Aurélio recalculou as penas de outros 15 condenados. Sobre os sócios de Valério,  Cristiano Paz cumpriria 8 anos e 1 mês em regime fechado, no lugar dos quase 26 anos a que foi condenado. Ramon Hollerbach teria pena de 8 anos em vez de 29 anos. Rogério Tolentino teria uma redução de dois anos para se chegar a 8 anos em regime semiaberto e Simone Vasconcelos, ex-diretora da agência, pegaria 5 anos no semiaberto.

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José Roberto Salgado e Kátia Rabello, do Banco Rural, teriam a pena reduzida à metade. Ele para 8 anos e 8 meses em regime fechado e ela para 8 anos e 11 meses. Romeu Queiroz cumpriria 4 anos e 6 meses no semiaberto; Pizzolato, 5 anos e 10 meses no semiaberto; Costa Neto, 5 anos e 4 meses n o semiaberto; Pedro Henry, 4 anos e 8 meses no semiaberto; Bispo Rodrigues, 3 anos, 9 meses e 15 dias no semiaberto; Pedro Corrêa, 6 anos e 9 meses no semiaberto; João Paulo Cunha, 3 anos e 9 meses no semiaberto (no lugar de 9 anos e 4 meses); Roberto Jefferson, 4 anos, 6 meses e 13 dias no semiaberto (no lugar de 7 anos e 14 dias); Vinicius Samarane, 5 anos e 9 meses no semiaberto.

“Relativamente as penas de multa descabe observar a continuidade delitiva”, afirmou Marco Aurélio. Barbosa chamou intervalo de 30 minutos e, na volta, os demais ministros vão votar sobre a proposta dos dois ministros para decidir se cabe ou não a aplicação da continuidade delitiva. Marco Aurélio reduziu as penas de 15 réus e deixou de fora o núcleo político, do qual faz parte o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente do partido José Genoino.

Com Agência Estado

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