Adams nega saída do cargo e diz que ex-auxiliar não tinha 'poder de decisão'

Luís Inácio Adams presta depoimento ao Senado sobre Operação Porto Seguro e nega intenção de deixar o cargo

iG São Paulo |

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, negou nesta quarta-feira que possa vir a deixar o cargo em decorrência dos desdobramentos da Operação Porto Seguro da Polícia Federal. Logo antes de prestar depoimento ao Senado nesta tarde, Adams disse ter tomado todas as medidas cabíveis para investigar as denúncias sobre o esquema de venda de pareceres que resultaram na demissão de seu ex-auxiliar no órgão José Weber Holanda. 

"Não sou porta-voz do sindicalismo e não me sinto atingido por manifestações desse tipo ( contra sua permanência no cargo ). Não cria espécie esse tipo de movimentação. O que existe é que, do ponto de vista institucional, o funcionamento da AGU está garantido", afirmou, destacando que o importante agora é mostrar que tem capacidade de reagir às situações.

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A afirmação foi feita antes do início do depoimento de Adams, que logo na abertura foi marcado por protestos. Diante de vaias e gritos da plateia durante a audiência, o senador Eunício Oliveira (PMDB-PE) chegou a ameaçar chamar a Polícia do Senado para conter os manifestantes.

Agência Brasil
Luís Inácio Adams foi alvo de protestos durante depoimento

Questionado se teria se arrependido de ter levado Weber para a função de adjunto na AGU, Adams disse que a escolha foi técnica. "Eu levei um técnico, uma pessoa que acreditava que cumpria uma função, tinha uma trajetória técnica. É uma pessoa que vinha trabalhando em altas funções do governo desde 2001", afirmou.

Ele disse ter acreditado que Weber poderia cumprir a função. "Infelizmente, ele quebrou a confiança. Quebrar confiança é algo não se recompõe. E o principal é corrigir. Qualquer instituição, em qualquer lugar do mundo vive com esse dilema de desvio de conduta por parte de servidores. O que é fundamental é ter capacidade de reagir a isso, identificar as falhas, corrigi-las e evitar que aconteçam no futuro. É o que estamos fazendo", disse.

Já durante o depoimento, Adams disse que Weber não tinha "poder de decisão". “A função dele era muito específica e de assessoramento da advocacia”, emendou. Adams também explicou a indicação de Weber para o cargo e confirmou que tinha conhecimento prévio da existência de processos administrativos contra o ex-auxiliar. "Quando o convidei ele disse que havia uma pendência, um processo penal relativo a processos de licitação", afirmou o ministro. “Eu disse a ele que resolvesse este assunto e ele de fato resolveu”, afirmou, em referência ao arquivamento da investigação.

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Adams disse que, considerando que a função de Weber seria de "assessoramento e não de direção", entendeu que "não haveria nenhuma objeção a essa indicação". “Naquele momento, entendi que as objeções que eu poderia vir a ter estavam solucionadas.”

*Com informações da Agência Estado

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