Cardozo: 'A Polícia Federal não se submete a orientações políticas'

Ministro presta depoimento ao Congresso sobre a Operação Porto Seguro, que desmantelou esquema de venda de pareceres fraudulentos no governo

iG São Paulo | - Atualizada às

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, exaltou a "independência" da Polícia Federal e negou ter tomado conhecimento com antecedência de detalhes da Operação Porto Seguro , que desmantelou um esquema de venda de pareceres técnicos fraudulentos em órgãos federais. Cardozo afirmou que, diferentemente do que ocorria durante o regime militar, a Polícia Federal hoje não age guiada por "interesses políticos". 

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Agência Câmara
O ministro José Eduardo Cardozo, durante depoimento na Câmara

"Graças a Deus o período da ditadura acabou", afirmou Cardozo durante audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara. "É com orgulho que eu comando hoje a PF, que não se submeterá em momento algum a orientações políticas", emendou. Ele afirmou que a PF agiu como deveria ao informá-lo sobre as investigações somente quando fosse "estritamente necessário". "A Polícia Federal, para orgulho do Ministério da Justiça, configura uma polícia de Estado e não de governo."

Ele lamentou o fato de a PF receber críticas de aparelhamento quando investiga a oposição e de desmando quando investiga integrantes do governo ou da base governista. “Agora, na Porto Seguro, envolvendo cargos do governo e base de sustentação governista, diz-se que o ministro perdeu o comando da PF ou que há alguma disputa interna [no órgão]. Em nenhum momento se foca as razões como são realizadas ou a forma como são feitas essas investigações. A PF não é mais uma polícia de governo. É uma polícia de Estado”, destacou

Como resultado da operação, foram indiciadas 18 pessoas, entre elas a chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, e o advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves, acusados de envolvimento com um grupo que obtinha pareceres técnicos fraudulentos que eram vendidos a empresas interessadas. Os dois foram exonerados dos seus cargos.

Outros órgãos que sofreram buscas foram o Ministério da Educação, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Cardozo disse ter tomado conhecimento da operação na quinta-feira, 22, um dia antes de a Polícia Federal executar os mandados de prisão e de busca referentes à operação. "Recebi informações genéricas, como deveria ser", acrescentou, dizendo ter sido apenas avisado pela PF de que havia uma operação a ser executada no dia seguinte e que atingiria órgãos federais em Brasília e outros Estados. 

A versão "genérica" sobre a operação, segundo o ministro, foi então repassada à presidenta Dilma Rousseff na noite da quinta-feira. "Eu não poderia dizer a ela mais do que sabia", disse. 

Cardozo negou, por exemplo, a versão de que teria sido avisado na manhã de sexta-feira pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, no momento em que seu braço direito José Weber de Holanda tornou-se alvo da operação . "Não sei de onde tiram essas versões fantasiosas", disse o ministro. 

Na tentativa de demonstrar que não há um racha entre a direção-geral e a superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Cardozo levou à audiência pública o diretor-geral, Leandro Daiello, e o superintendente da instituição em São Paulo, Roberto Troncon.

Com Reuters e Agência Brasil

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