Protesto contra mudança nos royalties de petróleo causa tumulto no Rio

Manifestantes e PMs entraram em confronto durante o ‘Veta Dilma’ no centro da capital; ato teve a presença de Sérgio Cabral, Eduardo Paes e artistas

Priscila Bessa - iG Rio | - Atualizada às

Dilvulgação
Milhares saem às ruas no Rio contra projeto que muda distribuição dos royalties do petróleo

Manifestantes lotaram as ruas do centro do Rio de Janeiro nesta segunda-feira no ato “Veta Dilma: contra a injustiça, em defesa do Rio", protesto contra a proposta aprovada no Congresso que redistribui os royalties e participações especiais do petróleo, reduzindo a parcela de Estados produtores. Segundo estimativa da PM, o ato reuniu 200 mil pessoas. A manifestação também teve tumulto entre os PMs e um grupo de manifestantes por volta das 17h no momento da chegada do governador Sérgio Cabral.

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A confusão começou no cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua Evaristo da Veiga, e houve correria até a escada do Theatro Municipal. PMs usaram cassetetes para dispersar manifestantes. Havia no local grupos que protestavam sobre outras questões: estudantes pelo ensino público, ato contra a corrupção, funcionários da WebJet etc.

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A fotógrafa Katja Schiliró, de 46 anos, chegou a ser conduzida por policiais. Katja havia puxado o boné do capitão Marcelo Alves, em protesto, disse ela, contra a truculência policial. "Foi uma reação. O policial arrancou os óculos de um manifestante e eu protestei. Minha intenção não está certa, mas foi uma truculência tão grande que não aguentei", contou a fotógrafa.

Acusada de desacato, ela acabou sendo liberada pelo PM, após a intervenção de um deputado estadual do PT, disse Katja. "O que vou fazer com um óculos? Graças a Deus enxergo muito bem. Expliquei que o que ela fez está errado e liberei ela", contou o capitão Alves.

A fotógrafa estava junto a um grupo que protestava contra a demolição, prevista nas obras de reforma do Maracanã para a Copa, do prédio centenário que abrigou o Museu do Índio. O professor de história da rede estadual Douglas Luddens disse que foi agredido por um manifestante pró-Cabral. Durante a correria, um policial gritou para ele: "Vaza daqui." A atriz e dubladora Mônica Bello contou que teve um cartaz rasgado por um manifestante do grupo convocado para a manifestação oficial. Ela disse que, em seguida, arrancou a bandeira do homem que havia rasgado o seu cartaz. "A PM já chegou cercando a gente, com cassetetes, e empurrando."

A ação policial dispersou os manifestantes desse grupo, que gritavam "Fora, Cabral." Nos cartazes: "Injustiça é milícia e corrupção na polícia", "Royalties para quem?", "Cabral, respeite a aldeia Maracanã".

Divulgação
Xuxa participa de manifestação contra mudança nos royalties de petróleo

Cabral estava acompanhado do governador do Espirito Santo, Renato Casagrande, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes. O evento também reuniu artistas, como Fernanda Montenegro e Xuxa, e atletas, como Fernanda Venturini. A previsão é que acabe por volta das 20h com apresentação de músicos, mas deve se estender até as 22h.

Os manifestantes pediam o veto da presidenta Dilma Rousseff ao texto de Vital do Rêgo, aprovado na Câmara. O projeto, além de mudar a divisão para campos ainda a serem licitados, também redistribui as parcelas do tributo para campos já contratados. A presidenta tem até sexta-feira (30) para se manifestar. Dilma pode vetar o texto integralmente, parcialmente ou sancioná-lo. Neste último caso, Rio de Janeiro e Espírito Santo, os Estados mais afetados, prometem levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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*Com Agência Estado

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